Visita de Herzog à Austrália marcada por confrontos e detenções
- 09/02/2026
Perante os apelos a manifestações, as autoridades mobilizaram um grande dispositivo de segurança para esta viagem de quatro dias, destinada a prestar homenagem às vítimas do massacre de Bondi e a apoiar uma comunidade judaica traumatizada com o ataque ocorrido em dezembro passado.
Milhares de pessoas concentraram-se na tarde de hoje (hora local) durante várias horas nas imediações da Câmara Municipal de Sydney, onde a tensão aumentou depois de as autoridades ordenarem a dispersão da multidão e impedirem os manifestantes de marcharem para o parlamento regional, conforme inicialmente planeado.
Os participantes responderam entoando slogans como "vamos marchar" e "isto não é um Estado policial".
Segundo testemunhas e organizadores da manifestação, a polícia usou spray de pimenta, jatos de água e cavalos para empurrar a multidão enquanto confrontos se desenrolavam e várias pessoas foram detidas, embora as autoridades não tenham confirmado se foram feitas detenções.
Imagens publicadas nas redes sociais mostram agentes a espancar um manifestante no chão, suscitando duras críticas de grupos pró-palestinianos e de alguns líderes políticos, que denunciaram o uso excessivo da força.
O organizador do evento, o grupo Palestinian Action, descreveu a ação policial como um "ataque brutal a um protesto pacífico" e relatou que os agentes ordenaram a dispersão, mantendo os participantes cercados e impedindo-os de sair.
Um jornalista da agência France-Presse (AFP) disse ter visto pelo menos 15 manifestantes detidos, além de confrontos com a polícia.
Contactada pela AFP, a polícia de Nova Gales do Sul não quis comentar.
O chefe de Estado israelita afirmou que a sua visita tinha como objetivo "expressar solidariedade e trazer força" à comunidade judaica após o ataque que matou 15 pessoas na famosa zona balnear australiana de Bondi, a 14 de dezembro.
"Vamos derrotar este mal", disse o chefe de Estado enquanto prestava homenagem, sob chuva, às vítimas do ataque.
"Os laços entre pessoas boas, de todas as crenças e de todas as nações, permanecerão fortes perante o terror, a violência e o ódio", disse Herzog, depois de depositar uma coroa de flores no local do tiroteio.
Dois homens, pai e filho, são acusados de abrirem fogo contra uma multidão que celebrava o feriado judaico de Hanukkah na Praia de Bondi, nos arredores de Sydney. O primeiro foi morto pela polícia, enquanto o segundo foi acusado de crimes terroristas e homicídio.
Segundo as autoridades, o ataque foi inspirado pela ideologia do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), mas os dois homens não receberam ajuda externa e não faziam parte de nenhuma organização terrorista.
Entre as vítimas que perderam a vida estavam um sobrevivente do Holocausto de 87 anos, um casal que tentou prender um dos atacantes e uma criança de 10 anos.
Na Austrália, o ataque -- o mais mortal no país em três décadas -- continua a causar controvérsia.
Dentro da comunidade judaica, muitas vozes acusaram o governo trabalhista de permitir que o antissemitismo floresça, especialmente desde o ataque do movimento extremista palestiniano Hamas a 07 de outubro de 2023 e a subsequente ofensiva israelita na Faixa de Gaza.
O primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, pediu desculpa em dezembro e agora apela à unidade e ao respeito perante os apelos a protestos nacionais durante a visita do Presidente israelita.
Enquanto o Conselho Executivo dos Judeus Australianos, a principal organização que representa a comunidade judaica, acolheu a visita de Herzog, o mais liberal Conselho Judaico da Austrália repudiou a visita, culpando o chefe de Estado pela "destruição contínua de Gaza".
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