Venezuela acusada de não libertar presos políticos: "Não há provas"

  • 13/01/2026

"Cinco dias depois de o regime ter anunciado oficialmente uma alegada libertação em massa de presos políticos, não há provas de que tal medida esteja a ser levada a cabo: o número de 116 libertações divulgado pelo regime na segunda-feira, 12 de janeiro, não reflete a realidade no terreno", declararam Machado e González num comunicado publicado na rede social X.

 

Segundo a líder da oposição, galardoada com o prémio Nobel da Paz 2025, e o ex-candidato presidencial venezuelano, ambos no exílio em Espanha, até agora, "as organizações de defesa dos direitos humanos conseguiram verificar a libertação de apenas 56 pessoas", o que "representa menos de 5% dos mais de mil homens e mulheres que permanecem injustamente presos por motivos políticos".

E "os que foram libertados continuam, na maioria dos casos, a ser sujeitos a medidas restritivas abusivas", sublinharam, acrescentando que "nenhuma lista oficial de pessoas com previsão de libertação foi divulgada" e que as famílias dos presos políticos "não foram informadas de qualquer processo de libertação".

Centenas delas "permanecem em vigília, acampadas em frente aos centros de detenção, aguardando notícias -- gastando dinheiro que não têm e colocando a sua própria saúde em risco", observaram.

"A nossa mensagem -- para o regime, para a Venezuela e para o mundo -- é clara: não pode haver transição enquanto os presos políticos permanecerem atrás das grades, nem pode haver liberdade na Venezuela enquanto uma única pessoa for perseguida por razões políticas", vincaram, no comunicado.

Salientaram igualmente que "os apelos das organizações venezuelanas e internacionais de defesa dos direitos humanos exigindo o respeito pelos direitos dos presos políticos não foram atendidos" e que não só "não se verificou qualquer melhoria nas condições de vida daqueles que permanecem detidos -- nem mesmo para aqueles que sofrem de doenças graves" - como, pelo contrário, se registou mais uma morte, fazendo ascender a "oito o número de presos políticos a morrer sob custódia do Estado desde as eleições [presidenciais] de 28 de julho de 2024".

"Cada dia na prisão importa, a vida e a saúde de centenas de pessoas estão em risco (...) e a nossa exigência continua a ser a mesma -- singular, clara e inegociável: a libertação imediata, completa, incondicional e verificável de todos os presos políticos", reiteraram Machado e González no comunicado.

Os Estados Unidos efetuaram a 03 de janeiro "um ataque em grande escala contra a Venezuela" para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, a congressista Cilia Flores, anunciando que governariam o país até se concluir uma transição de poder.

Maduro e Flores foram presentes a 05 de janeiro num tribunal federal em Nova Iorque, tendo-se declarado inocentes de todas as acusações, e continuarão detidos até à próxima audiência, agendada para 17 de março.

Nicolás Maduro é acusado nos Estados Unidos de quatro crimes federais: conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importar cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir tais armas em apoio de atividades criminosas, além de colaboração com organizações classificadas como terroristas por Washington.

Em Caracas, por decisão do Supremo Tribunal, a vice-presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, tomou posse como Presidente interina do país, com o apoio das Forças Armadas.

Leia Também: Venezuela. Albuquerque confiante na libertação de dois presos madeirenses

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2918773/venezuela-acusada-de-nao-libertar-presos-politicos-nao-ha-provas#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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