Universidades britânicas dependem cada vez mais de estudantes chineses
- 29/01/2026
Segundo os dados, havia quase 105 mil estudantes chineses inscritos nas instituições do grupo Russell -- que reúne 24 universidades britânicas de topo, incluindo Oxford, Cambridge e Imperial College -- representando 42,5% do total de estudantes estrangeiros nesse grupo.
Trata-se de uma proporção recorde e quase cinco vezes superior à registada no resto do setor universitário britânico, onde os estudantes chineses representam apenas 8,7% da população internacional.
A tendência levanta receios num contexto de crescente concorrência global pelo recrutamento de estudantes estrangeiros e de uma desaceleração no mercado de trabalho chinês para licenciados, fatores que poderão afetar a procura por diplomas britânicos.
As universidades estão sob pressão para diversificar as origens dos estudantes, especialmente depois da queda acentuada nas inscrições de cidadãos da Nigéria -- o terceiro maior mercado -- cujo número de novos estudantes caiu para metade entre 2022-2023 e 2024-2025, devido à crise cambial no país africano.
Apesar dessa pressão, várias instituições britânicas restringiram o recrutamento no Paquistão e no Bangladeche, em resposta a novas regras de vistos, optando por reforçar a aposta na China, país com taxas de conformidade mais elevadas.
O número global de novos estudantes internacionais caiu 5,4% no último ano letivo, o segundo recuo anual consecutivo desde o pico de 2022-2023. A queda foi registada nos três principais mercados -- Índia, China e Nigéria -- com o Paquistão como única exceção entre os quatro maiores, registando um aumento de 5%. O Nepal quase duplicou o número de estudantes no Reino Unido, atingindo 24.435.
A pressão financeira levou o Governo britânico a incentivar as instituições a expandir a presença internacional. No ano passado, nove universidades, incluindo Bristol e Southampton, receberam autorização para abrir polos na Índia.
Segundo os dados, o número total de estudantes a obter diplomas britânicos no estrangeiro subiu 7,9%, para 669.950. Desses, 45.790 estavam inscritos em polos internacionais de universidades do Reino Unido.
O Governo britânico reafirmou o seu apoio ao setor, declarando que pretende "restaurar as universidades como motores de oportunidade e crescimento" e que valoriza "fortemente" a contribuição dos estudantes internacionais.
Entretanto, os líderes universitários alertam que a proposta de introduzir uma taxa sobre estudantes estrangeiros, com entrada em vigor prevista para agosto de 2028, poderá comprometer a competitividade do setor.
Apesar da retórica de abertura, o Executivo do primeiro-ministro Keir Starmer retirou na semana passada a meta de recrutamento internacional, numa altura em que Londres procura simultaneamente conter a imigração.
O tema surge numa semana em que Starmer se encontra na China, numa visita destinada a reforçar laços bilaterais e atenuar tensões diplomáticas.
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