UE pede libertação imediata da ativista e Nobel da Paz Narges Mohammadi
- 11/02/2026
"As acusações contra Narges Mohammadi baseiam-se unicamente na sua defesa pacífica dos direitos humanos", destacou o Serviço para a Ação Externa da UE em comunicado, sublinhando que a ativista deve "poder expressar a sua opinião e realizar o seu trabalho legítimo sem receio de prisão ou represálias", como a última pena de sete anos e meio a que foi condenada.
No comunicado, a UE sublinha que o "Irão está vinculado às suas obrigações perante o direito internacional", apontando o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, bem como "respeitar a liberdade de expressão, de associação e de reunião pacífica".
A UE apelou às autoridades iranianas para que libertem "todos os detidos injustamente por exercerem estes direitos fundamentais", incluindo os milhares que foram levados para a prisão nos recentes protestos antigovernamentais, e que "garantam o respeito pelo direito a um processo equitativo e a um julgamento justo para todos".
A vencedora do Prémio Nobel da Paz foi detida em 12 de dezembro do ano passado, durante uma cerimónia em memória do advogado Khosrou Alikordi, que tinha morrido semanas antes em circunstâncias pouco claras.
Quase 40 pessoas foram detidas durante o evento, segundo o Ministério Público da cidade iraniana de Mashhad.
Narges Mohammadi, 53 anos, tinha recebido liberdade provisória em dezembro de 2024, após um pedido médico aprovado pelo Ministério Público de Teerão.
Meses antes, tinha sido hospitalizada depois de a sua família ter relatado que as autoridades a impediram de receber tratamento médico durante dois meses.
A ativista, que passou a maior parte dos últimos 20 anos atrás das grades, sofreu múltiplos ataques cardíacos e foi submetida a uma cirurgia de emergência em 2022.
Foi condenada cinco vezes, acumulando um total de 31 anos de prisão, sobretudo pelo seu papel nos protestos contra o rígido código de vestuário do Irão.
No domingo, a prémio Nobel da Paz de 2023 colocou fim à greve de fome que tinha iniciado seis dias antes em protesto contra a sua detenção, segundo a Fundação Narges, que expressou a sua crescente preocupação com a saúde e segurança da ativista de direitos humanos e das mulheres.
Ao longo de janeiro, o Irão foi abalado por fortes protestos antigovernamentais, que foram reprimidos com grande violência pelas autoridades.
O balanço oficial indicou cerca de três mil mortos, na maioria manifestantes, mas organizações de defesa dos direitos humanos alegam estar em posse de dados que confirmam um número muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.
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