UE alarmada face à crescente violência em Tigray
- 31/01/2026
"Temos acompanhado com grande preocupação os acontecimentos recentes no norte da Etiópia, que incluíram escaramuças e confrontos militares", afirmou a porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros europeu, Anitta Hipper.
As hostilidades atuais concentram-se em Tselemt, uma localidade estratégica dentro da contestada zona ocidental de Tigray, em estado de tensão constante desde a assinatura do acordo de paz em Pretória [África do Sul], porque as milícias do vizinho estado de Amhara, aliadas do Governo etíope, recusaram-se a retirar-se dos territórios que ocuparam durante o conflito.
Além disso, o acordo de paz também corre sério risco devido às disputas internas que acabaram por enfraquecer as autoridades tigrinhas da Frente Popular para a Libertação de Tigray (TPLF, na sigla em inglês), que tentam garantir o pacto.
Por isso, a UE considera "imperativo reduzir a tensão de imediato para evitar a reiteração do conflito, que teria graves consequências para a população civil e a estabilidade regional".
"O Acordo de Cessar-fogo de novembro de 2022 deve ser mantido como quadro para a resolução de disputas através do diálogo", acrescentou.
"A UE está disposta a facilitar este processo e apoiar medidas de fomento da confiança, também para restabelecer a plena aplicação do Acordo de Pretória", concluiu.
Na sexta-feira, a União Africana (UA) pediu "máxima moderação" às partes envolvidas na região etíope de Tigray (norte), onde os combates dos últimos dias entre o Exército federal e as forças regionais reacenderam os receios de um novo conflito, como noticiou a Lusa.
O presidente da Comissão da UA, Mahmoud Ali Youssouf, reiterou "a importância primordial e contínua de preservar as conquistas alcançadas com tanto esforço" no âmbito do Acordo de Paz de Pretória, afirmou a organização pan-africana num breve comunicado, expressando a sua "profunda preocupação".
Esse pacto, assinado na capital da África do Sul em novembro de 2022 sob os auspícios da UA pôs fim à guerra entre Adis Abeba e a Frente Popular de Libertação do Tigray.
Mahmoud pediu a todas as partes que "se abstenham de realizar ações que possam minar a confiança e resolvam as questões pendentes através de um diálogo construtivo", respeitando o acordo.
A guerra de Tigray começou em 04 de novembro de 2020, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, ordenou uma ofensiva contra o FPLT, partido que então governava a região, em resposta a um ataque a uma base militar federal e após uma escalada de tensões políticas.
O conflito foi resolvido em 2022 com um acordo de paz, cujo incumprimento parcial suscitou acusações mútuas entre as partes.
Pelo menos 600.000 pessoas morreram na guerra, segundo o mediador da UA no conflito, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo.
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