Ucranianos em condições brutais após ataques russos a sistema energético
- 10/02/2026
"A Rússia não está apenas a travar uma guerra de agressão contra a Ucrânia, está a submeter toda a população civil a uma campanha de extrema crueldade", afirmou Agnès Callamard, secretária-geral da Amnistia Internacional, citada num comunicado da organização, que documentou o "impacto devastador dos ataques sistemáticos" da Rússia ao sistema energético ucraniano.
A responsável referiu que "a escala e a intensidade dos ataques a infraestruturas energéticas vitais indicam claramente uma estratégia para espalhar o desespero entre a população civil ucraniana e quebrar o seu moral".
Agnès Callamard disse ainda que desde o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, "a Rússia tem descaradamente ignorado o Direito internacional, incluindo as regras que protegem os civis em tempo de guerra".
"Os responsáveis por crimes atrozes devem saber que esses crimes não têm prazo de prescrição. As pessoas na Ucrânia e fora dela procurarão incansavelmente a verdade, a justiça e a reparação, e nós apoiá-las-emos", garantiu.
Segundo a Amnistia Internacional, a Ucrânia perdeu mais de metade da capacidade de produção e 80% do país foi afetado por cortes de energia de emergência, num inverno em que as temperaturas caíram abaixo dos 15 graus negativos.
A investigação da organização baseia-se em testemunhos de sobreviventes que enfrentam um inverno rigoroso, sem aquecimento, eletricidade ou água corrente.
Civis e funcionários da Amnistia Internacional na Ucrânia descreveram blocos de apartamentos gelados, tubagens congeladas e rebentadas, elevadores parados, telemóveis descarregados e redes telefónicas interrompidas.
"Neste momento, estamos em modo de sobrevivência extrema", disse uma mulher, citada no comunicado.
Muitos ucranianos dormem vestidos com o máximo de roupa possível, recorrem a fogões a querosene para aquecer tijolos e garrafas de água ou a outras soluções perigosas, como montar tendas de acampamento dentro dos quartos e acender velas para combater o frio, descreveu ainda a organização.
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