UA pede a Moçambique que proteja vulneráveis e deslocados das cheias
- 23/01/2026
"[As autoridades moçambicanas devem] garantir uma maior proteção das pessoas mais vulneráveis, em particular crianças, mulheres, idosos e pessoas com deficiência, incluindo contra os riscos de abuso e exploração em situações de deslocação", refere a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos da UA, em comunicado.
A comissão pediu ainda que Moçambique intensifique os mecanismos de alerta, evacuação e prevenção de riscos, bem como a coordenação com os atores humanitários, para que a assistência chegue rapidamente e sem obstáculos às comunidades afetadas.
"A Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos manifesta a sua profunda preocupação com a situação calamitosa que a República de Moçambique enfrenta na sequência do aumento significativo da precipitação pluviométrica, que tem afetado de forma severa as regiões centro e sul do país", lê-se na nota, que manifestou ainda preocupação com os riscos acrescidos de doenças transmitidas pela água.
Por isso, recomenda igualmente que as autoridades devem garantir acesso efetivo e seguro à água potável, ao saneamento, aos cuidados de saúde, à nutrição e à educação, nomeadamente nos centros de acolhimento, uma ação que se enquadra nos compromissos assumidos na Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos.
"A Comissão Africana solidariza-se com o povo moçambicano neste momento de dor e aflição, lamentando profundamente a perda de vidas humanas e as deslocações involuntárias, e apela à comunidade regional e internacional para que se mobilize em apoio aos esforços de resposta humanitária, de modo a permitir que o Governo faça face a esta emergência, cujos impactos ultrapassam as fronteiras nacionais e afetam o continente como um todo", refere a nota.
Pelo menos 642.122 pessoas foram afetadas desde 07 de janeiro pelas cheias em Moçambique, registando-se ainda 12 mortos, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
De acordo com a base de dados do INGD, a que a Lusa teve acesso, com dados até às 15:50 (13:50 de Lisboa) de hoje, as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 139.708 famílias, com registo de 2.879 casas parcialmente destruídas, 757 totalmente destruídas e 71.560 inundadas.
Hoje prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem fortes descargas, por falta de capacidade.
Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.
Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.
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