Trump tenta contornar queda nas sondagens com campanha rumo às intercalares
- 31/01/2026
As sondagens indicam que a opinião pública norte-americana está cada vez mais descontente com a reformulação da agenda externa e interna de Donald Trump, incluindo com a agressiva política de imigração, que culminou na morte de dois norte-americanos este mês, no estado do Minnesota, que protestavam contra as rusgas.
Levantamentos realizados na primeira quinzena de janeiro mostraram que os norte-americanos estão amplamente em desacordo com o Governo de Trump em relação à imigração, com mais de metade dos inquiridos a afirmar que as ações de fiscalização do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE, sigla em inglês) estão a tornar as cidades menos seguras.
Uma sondagem do New York Times/Siena divulgada na semana passada mostrou que 61% dos eleitores consideram que as táticas usadas pelo ICE "foram longe demais". Isso inclui mais de nove em cada 10 democratas, cerca de sete em cada 10 independentes e aproximadamente dois em cada 10 republicanos. Apenas 26% dos eleitores, no geral, disseram que as táticas do ICE eram "adequadas" e 11% disseram que não foram longe o suficiente.
Num olhar mais amplo, a opinião pública sobre praticamente todos os aspetos do primeiro ano do segundo mandato de Donald Trump é negativa, segundo outra sondagem, da CNN internacional, conduzida pela empresa SSRS.
A pesquisa mostra que a maioria dos norte-americanos considera que Trump está focado nas prioridades erradas e a fazer muito pouco para lidar com o elevado custo de vida no país.
A maioria (58%) considera o primeiro ano do mandato de Trump um fracasso.
O inquérito praticamente não traz boas notícias para Trump ou para o Partido Republicano, especialmente tendo em conta que 2026 será um ano crucial de eleições intercalares, com a gestão da economia a torna-se a questão primordial para muitos eleitores.
Questionados sobre qual é o principal problema do país, os americanos escolheram a economia por uma margem de quase dois para um em relação a qualquer outro tópico.
E foi precisamente com foco na economia que Donald Trump deu o arranque, na terça-feira, à temporada de comícios eleitorais rumo às intercalares, com um evento no estado do Iowa.
Sem surpresas, o Presidente exaltou a força da economia norte-americana, tentando convencer os norte-americanos de que está focado em baixar o elevado custo de vida.
No Iowa - um estado onde tradicionalmente arranca a corrida à Presidência, com eleições primárias -, Trump disse à multidão que todos os seus esforços para melhorar a acesso à habitação serão anulados caso os democratas conquistem o controlo da Câmara ou do Senado.
"Precisamos de vencer as eleições intercalares, vocês precisam de sair e votar", instou, apelando ao voto nos candidatos republicanos.
Os norte-americanos votarão, 03 de novembro, a renovação de toda a Câmara dos Representantes e de um terço do Senado, além de elegerem 36 governadores e outras autoridades locais.
Para Trump, estas serão eleições cruciais para a segunda metade do seu segundo e último mandato, pondo em jogo a estreita maioria republicana no Congresso.
Uma alteração à composição do Congresso pode também significar a continuidade de Donald Trump no poder, segundo o próprio admitiu.
"Vocês precisam de ganhar as eleições intercalares, porque se não ganharmos, quer dizer, eles vão encontrar um motivo para me destituir", afirmou Trump, no início do mês, num discurso durante um encontro de republicanos na Câmara dos Representantes.
"Eu vou sofrer um processo de 'impeachment'", anteviu.
Uma série de eleições, que começa com primárias em março, irá preservar a maioria republicana no Congresso, ajudando Trump a aprovar a sua agenda, ou irá dar aos democratas o controlo da Câmara dos Representantes ou do Senado e, consequentemente, a capacidade de bloquear as prioridades do Presidente e abrir investigações contra o magnata republicano.
Texas e Carolina do Norte serão palco das primeiras disputas do ano, em 03 de março.
Ao longo dos próximos meses, até 03 de novembro, estão programadas várias votações.
O custo de vida deverá ser o principal tema da campanha eleitoral de 2026, mas as primeiras semanas do ano deixaram claro que ambos os partidos terão que equilibrar os esforços para responder às iniciativas de política externa de Trump e aos eventos de grande repercussão em todo o país, como a imigração.
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