Trump e Zelensky discutem mísseis Patriot; Ucrânia pede volta das negociações de paz com Rússia
28/07/2026
(Foto: Reprodução) O presidente da Ucrânia, Volodmyr Zelenky, ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump
Reprodução: Telegram (V_Zelenskiy_official)
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu nesta terça-feira (28) o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, na Casa Branca. Após o encontro, Zelensky afirmou que os dois discutiram formas de retomar as negociações de paz com a Rússia.
Segundo o presidente ucraniano, a conversa tratou de maneiras de "revigorar" os esforços diplomáticos para encerrar a guerra, iniciada em 2022. As tentativas anteriores de cessar-fogo foram rejeitadas por Moscou.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Zelensky também afirmou que discutiu com Trump a concessão de licenças para que a Ucrânia produza mísseis do sistema Patriot. O armamento é usado para interceptar mísseis balísticos russos e é considerado uma das principais prioridades de Kiev.
"Conversamos com o presidente sobre licenças para produzir interceptadores para os sistemas Patriot e outras ideias que podem ajudar. Também falamos sobre diplomacia. É importante dar novo impulso ao processo diplomático", afirmou, em seu canal do Telegram.
O presidente da Ucrania, Volodymyr Zelensky, chega à Casa Branca para reunião com o presidente dos EUA, Donald Trump, em 27 de julho de 2026.
Elizabeth Frantz/ Reuters
A Ucrânia enfrenta escassez desses mísseis há meses. O governo ucraniano atribui parte da falta de munição ao consumo dos estoques americanos durante o conflito entre Israel e Irã.
Zelensky também agradeceu aos Estados Unidos pelo "firme apoio" à Ucrânia e afirmou que as equipes dos dois países vão organizar novos contatos.
A Casa Branca fechou a reunião para jornalistas independentes. Depois do encontro, Zelensky divulgou fotos ao lado de Trump e mostrou que os secretários americanos Marco Rubio, Scott Bessent e Pete Hegseth participaram da conversa no Salão Oval.
Segundo Zelensky, a reunião no Salão Oval foi positiva.
Nesta terça, Trump se reuniu, separadamente, com Zelensky e também com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Os encontros acontecem em um momento de negociações sobre a guerra na Ucrânia e de divergências entre Washington e o governo israelense sobre os rumos dos conflitos no Oriente Médio.
Com o israelense, a pauta inclui a guerra na Faixa de Gaza, a situação regional após o conflito com o Irã e a presença militar israelense em Gaza, no Líbano e na Síria.
A reunião entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e Volodymyr Zelensly
Telegram: Telegram (V_Zelenskiy_official)
Ocidente em linha com a Ucrânia
O encontro entre Trump e Zelensky acontece enquanto Estados Unidos e Ucrânia discutem uma nova proposta de cessar-fogo para apresentar à Rússia.
A reunião também ocorre em um momento de dificuldades para a defesa aérea ucraniana. Kiev afirma que enfrenta escassez de mísseis Patriot, usados para interceptar mísseis balísticos russos. Parte dos estoques americanos foi consumida durante a guerra entre Israel e Irã, o que reduziu a disponibilidade desse armamento.
LEIA TAMBÉM
Mais avançado do mundo e 'provocação' à Rússia: conheça o Patriot, sistema de defesa aérea que Trump vai enviar à Ucrânia
Milhares de ucranianos vão às ruas em protesto à demissão de ministro da Defesa por Zelensky
VÍDEO: a bordo de avião soviético, soldado ucraniano 'bom de mira' derruba drones russos utilizando apenas um fuzil
Na semana passada, durante uma reunião da Otan, Trump anunciou que pretende conceder à Ucrânia uma licença para produzir localmente os armamentos deste tipo. Segundo o presidente americano, Washington também deve compartilhar a tecnologia necessária para ampliar a fabricação das munições.
Em paralelo, o país do leste europeu também deve contar com o sistema britânico de guerra eletrônica conhecido como "Stone Cloak" ("Manto de Pedra"). O Reino Unido anunciou na últia segunda (26) que compartilhará a tecnologia com a Ucrânia para permitir a produção em larga escala do equipamento.
O sistema dificulta que drones ucranianos sejam detectados pelas defesas aéreas russas, aumentando as chances de atingir alvos militares e reduzindo perdas no campo de batalha.
Divergências sobre o Oriente Médio
Zelensky e Netanyahu se reúnem com Trump nos EUA
A visita de Netanyahu ocorre em meio a sinais de desgaste na relação entre os dois líderes. Desde que Trump voltou à Casa Branca, eles já se encontraram seis vezes e mantiveram uma aliança próxima. Nos últimos meses, porém, surgiram divergências sobre a condução da guerra contra o Irã e sobre a estratégia americana para reduzir as tensões na região.
O principal ponto de atrito é a pressão do governo americano para que Israel reduza sua presença militar nas regiões conflagradas. Netanyahu afirma que não pretende retirar as tropas enquanto o Hamas não estiver completamente desarmado.
Ao mesmo tempo, o governo israelense aprovou a criação de uma força internacional de estabilização na Faixa de Gaza. O plano prevê o envio inicial de cerca de 200 militares de países parceiros para proteger uma zona humanitária em Rafah, no sul do território palestino. Apesar disso, Israel diz que continuará mantendo tropas na região.
LEIA TAMBÉM
Baixo estoque de mísseis Patriot pesou na decisão de Trump para pausar ataques ao Irã, diz imprensa dos EUA
Países europeus e Japão doam US$ 1 bilhão para recuperação de Gaza
Trump diz que está pronto para ação militar 'mais forte' se negociação com Irã falhar
A guerra em Gaza já se estende desde outubro de 2023, quando o Hamas atacou o sul de Israel. Desde então, o Exército israelense realiza operações militares no território palestino. As negociações por um cessar-fogo seguem sem acordo definitivo.
Outro tema da reunião será o Irã. Após a guerra iniciada por Israel e pelos Estados Unidos contra o país, em fevereiro deste ano, Washington e Tel Aviv passaram a divergir sobre a estratégia para impedir que Teerã avance em seu programa nuclear. Enquanto Trump tem defendido uma solução negociada, Netanyahu continua defendendo a manutenção da pressão militar.
O presidente dos EUA, Donald Trump, aponta enquanto discursa sobre a economia no Campo de Provas da General Motors em Milford, Michigan, EUA
REUTERS/Carlos Osorio