Tropas russas fizeram maior avanço desde 2022 (menos de 1% do território)
- 02/01/2026
Segundo a análise, produzida a partir de dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), que trabalha em conjunto com o Critical Threats Project (CTP), dois 'think tanks' (grupos de reflexão) norte-americanos especializados no estudo de conflitos, a Rússia conquistou em 2025 acima de 5.600 quilómetros quadrados do território ucraniano.
Este avanço representa mais do que 2023 e 2024 juntos, de acordo com os dados, mas apenas 0,94% da área total da Ucrânia.
As áreas conquistadas incluem zonas controladas pela Rússia, de acordo com Kyiv e observadores militares, bem como pequenas áreas reivindicadas pelo exército de Moscovo, mas não confirmadas.
No primeiro ano da invasão russa, iniciada em 24 de fevereiro de 2022, as forças russas conquistaram quase 64.000 quilómetros quadrados de território.
Apesar dos esforços diplomáticos intensificados desde novembro em torno de um plano dos Estados Unidos para pôr fim ao conflito, os combates continuam no terreno.
Um plano de 20 pontos negociado no final de dezembro entre Kyiv e Washington prevê o congelamento das linhas da frente nas regiões de Zaporijia e Kherson, no sul da Ucrânia, bem como em Donetsk e Lugansk, no leste, que juntas formam o Donbass, mas o acordo com Moscovo ainda está por fechar.
No passado mês de dezembro, os militares russos conquistaram 244 quilómetros quadrados, o seu avanço mensal mais baixo desde março, mas aceleraram a sua ofensiva no Donbass, a região oriental da Ucrânia que procuram anexar.
No entanto, os ganhos obtidos desde a primavera, sobretudo em novembro (701 quilómetros quadrados), permitiram à Rússia ultrapassar os avanços acumulados em 2024 (quatro mil) e 2023 (580).
A Rússia progrediu também 131 quilómetros quadrados na região de Zaporijia, no sul do país, onde os bombardeamentos se intensificaram nos últimos meses.
No final de dezembro, Moscovo controlava 19,4% do território ucraniano, total ou parcialmente. Cerca de 7% já estavam sob controlo russo antes da invasão de fevereiro de 2022, incluindo a península da Crimeia, anexada em 2014, e partes do Donbass.
Em sentido contrário, a Rússia perdeu 125 quilómetros na região de Kharkiv, no leste da Ucrânia, e 55 quilómetros quadrados na região de Dnipropetrovsk (centro-leste), duas áreas das quais o plano da Casa Branca (presidência norte-americana) propõe a retirada russa.
Estes ganhos ucranianos são os mais significativos desde junho de 2023, durante uma grande contraofensiva contra os militares de Moscovo.
No seu discurso de Ano Novo, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que um acordo para pôr fim à guerra estava "90% pronto", alertando que os restantes 10% determinariam o "destino da paz".
As partes continuam separadas em relação aos territórios ocupados e a garantias de segurança a Kyiv de modo a prevenir uma nova agressão russa.
Leia Também: ONU preocupada após ataque ucraniano que fez 27 mortos em Kherson














