Três crianças raptadas por terroristas em Mocímboa da Praia
- 07/02/2026
Os raptos das crianças, duas meninas de 12 e 13 anos e um rapaz de 14 anos, aconteceram na noite de quinta-feira, quando os terroristas entraram na comunidade, recolhendo para parte incerta os menores, que na altura estavam a brincar próximo às suas residências.
"Vieram até a aldeia, não dispararam, acho que era para não perturbar e daí levaram crianças. Até então ninguém sabe ao certo o paradeiro", relatou à Lusa uma fonte da comunidade local, a partir de Mocímboa da Praia.
A comunidade comunicou às autoridades o sucedido e neste momento decorrem ações para descobrir o possível destino das vítimas.
As famílias das vítimas receberam na sexta-feira a visita do administrador de Mocímboa da Praia, Sérgio Domingos Cipriano, que foi consolar e garantir que as Forças de Defesa e Segurança estão a trabalhar para encontrar as crianças.
"O administrador chegou e viu de perto a situação. As populações estão ansiosas em ver crianças a retornar a casa", disse a mesma fonte.
A província de Cabo Delgado, rica em gás, é alvo de ataques extremistas há oito anos, com o primeiro ataque registado em 05 de outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia.
A organização Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED, na sigla em inglês) estimou anteriormente que a província moçambicana de Cabo Delgado registou seis eventos violentos em duas semanas, envolvendo extremistas do Estado Islâmico, que provocaram pelo menos três mortos, elevando para 6.432 os óbitos desde 2017.
De acordo com o último relatório da organização de ACLED, com dados de 12 a 25 de janeiro, dos 2.310 eventos violentos registados desde outubro de 2017, quando começou a insurgência armada em Cabo Delgado, 2.146 envolveram elementos associados ao Estado Islâmico Moçambique (EIM).
Estes ataques provocaram em oito anos e meio 6.432 mortos.
No relatório é sublinhado que o EIM, neste período em análise, "realizou um raro ataque com morteiros contra posições ruandesas em Macomia", entre "confrontos contínuos" com as forças do Ruanda, que apoiam os militares moçambicanos no combate aos grupos insurgentes na província de Cabo Delgado.
"O grupo também se tem concentrado no reabastecimento das suas forças durante a difícil estação chuvosa, particularmente no litoral, onde mantém certa liberdade de movimento por barco. Em outros locais, um ataque a uma mina de ouro em Niassa, juntamente com ações de um grupo criminoso em Metuge que se fez passar por insurgentes, ilustram o ambiente cada vez mais complexo em que as forças de segurança precisam de operar", aponta-se no relatório da ACLED.
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