"Toda a gente sabia": Afinal, Trump conhecia (ou não) crimes de Epstein?
- 10/02/2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem repetido diversas vezes que desconhecia os crimes de Jeffrey Epstein. No entanto, há novas informações que colocam em causa as afirmações do republicano.
Foi em julho de 2006 que uma acusação de abuso sexual contra Jeffrey Epstein se tornou pública. Nessa altura, Donald Trump terá ligado para o então chefe da polícia de Palm Beach, Michael Reiter, para lhe dizer que as atividades do magnata com menores de idade eram do conhecimento público tanto em Nova Iorque como em Palm Beach.
"Ainda bem que está a impedi-lo, toda a gente já sabia o que ele fazia isso [abusar de menores]", disse o atual presidente norte-americano ao chefe da polícia, segundo uma entrevista do FBI a Reiter, que, aliás, consta nos arquivos de Epstein agora divulgados e citado pelo Miami Herald.
A entrevista foi realizada em outubro de 2019, meses depois de o magnata norte-americano se ter suicidado na prisão, e lança agora uma nova abordagem sobre o envolvimento de Donald Trump no início da investigação a Epstein em 2006 e o quanto sabia sobre os crimes.
Michael Reiter disse também ao FBI que o republicano afirmou que Ghislaine Maxwell era "agente" de Jeffrey Epstein, caracterizando-a como "má" e que a polícia se deveria "focar nela".
Maxwell, de 64 anos, recorde-se, foi condenada em 2022 a 20 anos de prisão por exploração sexual de menores e tenta ainda esgotar os recursos judiciais contra a sentença.
Na altura, Donald Trump adiantou a Reiter que "esteve perto de Epstein uma vez, quando havia adolescentes presentes" e que "saiu a correr de lá", tendo ainda dito que expulsou o criminoso de Mar-a-Lago.
Estas informações, note-se, vêm contradizer o que Donald Trump tem vindo a afirmar desde que o seu nome foi associado a Jeffrey Epstein, afirmando que desconhecia os abusos sexuais a menores de idade.
O Miami Herald confirmou junto do ex-chefe da polícia de Palm Beach, Michael Reiter, esta conversa com o atual presidente dos Estados Unidos. No entanto, um funcionário do FBI negou que este telefonema tenha acontecido: "Não temos conhecimento de nenhuma evidência que corrobore a hipótese de que o presidente tenha entrado em contacto com as autoridades há 20 anos", disse, citado pelo meio americano.
O depoimento de Reiter ao FBI focou-se sobretudo na investigação do Departamento de Polícia de Palm Beach a Jeffrey Epstein, tendo começado em 2003 após as autoridades terem recebido uma denúncia de que haviam sido vistas jovens a entrar e a sair da mansão do financista, em Palm Beach.
Na altura, a polícia montou uma operação de vigilância à casa de Epstein, tendo verificado a identidade de duas mulheres que eram já adultas. Desta forma, o caso acabou por ser encerrado.
Mais tarde, em 2005, a polícia recebeu um nova denúncia. Tratava-se de uma mulher que dizia que a sua enteada de 14 anos tinha sido abusado por Jeffrey Epstein. Já a menina revelou às autoridades que outras jovens haviam sido agredidas sexualmente como parte de um esquema organizado, onde adolescentes eram recrutadas para fazer massagens ao magnata.
Vítimas de Epstein pedem divulgação total de ficheiros
As vítimas do predador sexual Jeffrey Epstein apareceram num vídeo para pedir que sejam divulgados todos os arquivos do magnata norte-americano.
O apelo foi feito num vídeo do grupo World Without Exploitation, com cerca de 40 segundos, divulgado no domingo, dia em que aconteceu o Super Bowl.
As vítimas exibiram fotografias de quando eram mais jovens e disseram: "Todos nós merecemos a verdade".
Ghislaine Maxwell só falará se Trump lhe conceder clemência
A ex-companheira de Epstein, Ghislaine Maxwell, invocou, esta segunda-feira, a Quinta Emenda para não ter de responder às perguntas do Comité de Supervisão da Câmara dos Representantes sobre a sua ligação com o predador sexual Jeffrey Epstein.
Sob o meu conselho, Ghislaine Maxwell irá invocar a Quinta Emenda e recusa responder às perguntas, embora ela gostasse de o fazer", começou por explicar o advogado, David Oscar Markus, na rede social X (antigo Twitter).
No entanto, o seu advogado adiantou que, para a cliente falar, Donald Trump terá de lhe conceder perdão.
"Se este Comité e o público americano querem ouvir a verdade não filtrada sobre o que aconteceu, há um caminho. A senhora Maxwell está preparada para falar de forma completa e honesta se lhe for concedida clemência pelo presidente Trump", lê-se.
E acrescentou: "Só ela pode fazer o relato completo. Alguns podem não gostar do que ouvem, mas a verdade importa. Por exemplo, tanto o presidente Trump como o presidente Clinton são inocentes de qualquer irregularidade".















