Teerão espera que EUA impeçam Netanyahu de controlar negociações
- 10/02/2026
"Os americanos devem pensar racionalmente e não permitir que ele [Netanyahu] insinue, através dos seus gestos antes do voo, que quer ensinar aos americanos a estrutura das negociações nucleares", declarou Ali Larijani na rede social X, numa visita a Omã, país mediador nas negociações entre o Irão e os Estados Unidos, centradas no programa nuclear da República Islâmica.
Na sua mensagem, o dirigente iraniano advertiu os Estados Unidos que devem "permanecer vigilantes contra o papel destrutivo dos sionistas", referindo-se mais uma vez a Israel.
As declarações de Larijani surgem depois de Netanyahu ter afirmado que iria apresentar aos Estados Unidos a sua perspetiva sobre as bases para as negociações com o Irão, antes de embarcar para Washington, onde se vai encontrar na quarta-feira com o Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Apresentarei ao Presidente [Trump] a nossa perspetiva sobre as bases para as negociações, princípios importantes que, na minha opinião, são importantes não só para Israel, mas para todos no mundo que desejam a paz e a segurança no Médio Oriente", indicou o chefe do Governo israelita.
Israel quer que o Irão concorde não só em limitar o seu enriquecimento de urânio, mas também reduzir o seu programa de mísseis balísticos e terminar todo o apoio às milícias de grupos islamitas na região, como o Hezbollah no Líbano.
A República Islâmica rejeita estas exigências e afirma estar disposta a aceitar apenas certas limitações no seu programa nuclear em troca do alívio de sanções internacionais.
O Irão e os Estados Unidos retomaram as negociações na semana passada, no primeiro encontro de delegações dos dois países desde a guerra de 12 dias em junho passado entre Teerão e Telavive, à qual se juntaram bombardeamentos da aviação norte-americana contra instalações nucleares iranianas.
Ambos os lados descreveram a reunião como boa e concordaram em voltar a reunir-se em breve.
As negociações surgem após as ameaças de Trump de intervenção militar no Irão, reforçadas com o envio de uma frota naval para a região, no seguimento da violenta repressão às manifestações antigovernamentais ao longo do mês de janeiro, a que se somou a exigência de um acordo sobre a política nuclear da República Islâmica.
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