Teerão espera concluir quadro de negociações com EUA mas nega ultimato
- 02/02/2026
O Irão "age sempre com honestidade e seriedade nos processos diplomáticos, mas nunca aceita ultimatos. Por conseguinte, tal afirmação não pode ser confirmada", declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmail Esmaeil Baghai, citado pela agência noticiosa France-Press (AFP).
As declarações Baghai, durante uma conferência de imprensa em Teerão, seguiram-se a Trump ter assegurado que tinha fixado um prazo a Teerão para a conclusão de um entendimento, sem especificar a data.
Trump afirmou ainda que o Irão queria "concluir um acordo".
"Atualmente, estamos a examinar e a decidir os detalhes de um processo diplomático que esperamos que dê frutos no futuro, incluindo a forma de realizar o trabalho", afirmou Baghai.
O diplomata disse que o Governo da República Islâmica espera divulgar pormenores sobre as possíveis negociações "nos próximos dias".
Disse também que "os países da região desempenham o papel de mediadores para transmitir mensagens", numa referência à Turquia, Qatar ou Egito, segundo a agência de notícias espanhola EFE.
Baghai referiu ainda que as alegações de que as negociações passaram do alívio das sanções de que o Irão é alvo para apenas evitar a guerra são incorretas, de acordo com a agência noticiosa oficial IRNA.
O porta-voz disse que o levantamento das sanções continua a ser uma prioridade inegociável do Irão, diretamente ligada à construção de confiança nuclear e ao fim da "pressão económica injusta" sobre o povo iraniano.
Os Estados Unidos têm o porta-aviões "Abraham Lincoln" e respetiva frota, bem como milhares de soldados, perto das águas iranianas no Golfo Pérsico.
Os meios navais foram mobilizados após Trump ter afirmado que iria ajudar os manifestantes nos protestos que abalaram o país e cuja repressão pelo regime fundamentalista islâmico causou milhares de mortos.
O líder supremo iraniano, Ali Khamenei, avisou no domingo que qualquer ataque dos Estados Unidos contra o Irão desencadeará uma guerra regional no Médio Oriente.
"Não somos os instigadores e não procuramos atacar nenhum país. Mas a nação iraniana desferirá um golpe firme a qualquer um que a ataque ou assedie", afirmou Khameni.
Em resposta, Trump reafirmou a ameaça de um ataque se Teerão não aceitar um acordo nuclear.
"Temos os maiores e mais poderosos navios do mundo ali, muito perto, daqui a um par de dias, e com sorte chegaremos a um acordo", disse aos jornalistas na Florida.
"Se não chegarmos a um acordo, então descobriremos se [Khamanei] tinha razão ou não", acrescentou.
Teerão e Washington mantiveram cinco rondas de negociações indiretas com Omã como intermediário, entre abril e junho de 2025, sem sucesso.
As negociações foram interrompidas devido à guerra de 12 dias com Israel, durante a qual os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas.
Os países ocidentais, liderados pelos Estados Unidos, e Israel, inimigo declarado do regime iraniano, suspeitam há muito que o Irão pretende desenvolver armas nucleares.
Teerão nega veementemente ter tais ambições militares, insistindo no direito ao nuclear para fins civis.
Um anterior acordo com o Irão foi concluído em 2015, mas caducou com a decisão de Trump de retirar os Estados Unidos do pacto em 2018, durante o seu primeiro mandato presidencial (2017-2021).
O acordo envolvia também a China, a França, a Rússia, o Reino Unido e a Alemanha, e limitava o programa nuclear do Irão em troca do levantamento das sanções económicas.
Desde que regressou à Presidência, em janeiro de 2025, Trump tem apelado ao Irão para negociar um novo texto, mas com a ameaça de bombardear o país se a diplomacia falhar.
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