Teerão avisa países vizinhos que serão hostis se apoiarem ataque dos EUA

  • 27/01/2026

"Os países vizinhos são nossos amigos, mas se o seu território, céus ou águas forem utilizados contra o Irão, serão considerados hostis", disse Mohammad Akbarzadeh, vice-comandante político das forças navais da Guarda Revolucionária Islâmica, citado pela agência de notícias iraniana Fars.

 

O Irão ameaça também bloquear o estreito de Ormuz, uma passagem crucial para o transporte de produtos energéticos, em caso de sofrer um ataque, segundo o oficial, que acrescentou que "esta mensagem foi transmitida" aos países da região.

Akbarzadeh advertiu ainda que Washington e os seus aliados devem saber que "a segurança dos seus alimentos, energia e comércio tem sido garantida por esta passagem" e que Teerão pode "transformar essa mesma segurança em insegurança".

O Presidente norte-americano, Donald Trump, tem indicado que o regime iraniano procura o diálogo, ao mesmo tempo que mantém em aberto uma ação militar contra o envio de uma força para a região, no seguimento da repressão de protestos antigovernamentais na República Islâmica.

Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos, números contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegam estar em posse de números que confirmam uma dimensão muito superior.

O movimento de protesto, iniciado em 28 de dezembro contra o elevado custo de vida e desvalorização da moeda nacional, que levou a um apagão de comunicações sem precedentes em todo o país por ordem das autoridades, perdeu entretanto intensidade, mas as detenções prosseguem.

Pelo menos 41.880 pessoas foram detidas e 6.126 morreram, segundo os dados mais recentes da agência de notícias dos ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, que está a investigar dados relativos a outras eventuais 17 mil mortes.

Outra organização, a Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, registou 3.428 manifestantes mortos que conseguiu confirmar diretamente ou através de fontes no Irão, incluindo relatórios clínicos e de morgues, mas receia que o número total possa ultrapassar os 25.000.

A televisão estatal iraniana continua a transmitir interrogatórios de manifestantes, em "confissões" encenadas com o objetivo de esmagar a oposição, segundo os grupos de defesa dos direitos humanos, ao mesmo tempo que a tensão militar aumenta na região.

Na segunda-feira, o porta-aviões Abraham Lincoln, acompanhado pela sua escolta, chegou ao Golfo.

Donald Trump avisou que os Estados Unidos tinham "uma grande armada perto do Irão, maior do que na Venezuela", referindo-se às operações norte-americanas que levaram à captura do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, no início de janeiro.

No entanto, acrescentou, numa entrevista ao portal norte-americano Axios: "Querem fazer um acordo. Eu sei disso. Já ligaram várias vezes. Querem falar."

Segundo o jornal The New York Times, os serviços de informações norte-americanos asseguraram repetidamente a Donald Trump que o regime iraniano está a enfraquecer, estando mesmo no seu "ponto mais baixo" desde a fundação da República Islâmica em 1979.

O influente senador republicano norte-americano Lindsey Graham disse ao jornal que falou com o líder da Casa Branca nos últimos dias e que "o objetivo é derrubar o regime".

Do lado iraniano, Teerão confirmou que foi aberto um canal de comunicação com os Estados Unidos.

Numa chamada telefónica hoje com o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, um aliado de Washington, o Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, alertou que "as ameaças americanas visam perturbar a segurança regional" e só trarão instabilidade aos países vizinhos.

A Arábia Saudita indicou a Teerão, em meados de janeiro, que não permitiria a utilização do seu território para eventuais ataques contra a República Islâmica.

Leia Também: EUA anunciam exercício aéreo no Médio Oriente em clima de tensão com Irão

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2927273/teerao-avisa-paises-vizinhos-que-serao-hostis-se-apoiarem-ataque-dos-eua#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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