Surto de cólera em Moçambique continua a crescer. Seis mortos em 24 horas
- 01/02/2026
Segundo o último boletim da doença, da Direção Nacional de Saúde Pública, com dados de 03 de setembro a 30 de janeiro, do total de 3.725 casos de cólera contabilizados neste período, 1.621 foram na província de Nampula, com um acumulado de 21 mortos, 1.481 em Tete, com 28 óbitos, e 566 em Cabo Delgado, com seis mortos.
No balanço anterior, até 28 de janeiro, registavam-se 3.449 casos de cólera neste surto, com 48 óbitos, em todo o país, sendo 135 novos doentes e 12 mortos só nas 24 horas anteriores.
Neste balanço é referido que no dia 30 de janeiro, além de mais seis mortos e 95 casos, a taxa letalidade nacional da doença tinhap passado para 1,5%.
O epicentro do surto é a província de Tete, centro do país, com uma taxa de letalidade em 1,9%, e 87 novos doentes nas 24 horas anteriores, segundo os mesmos dados. O surto está ativo, nesta província, nos distritos de Marara, Tsangano, Moatize, Changara, Cahora Bassa e Tete, mas também em Morrumbala, distrito da província vizinha da Zambézia.
Contudo, em 24 horas, em Cabo Delgado, foram notificados cinco dos seis mortos por cólera e "declarado um novo surto nos distritos de Mecufi e Montepuez", refere-se no boletim, além de Pemba e Metuge.
No surto de cólera anterior, com dados da Direção Nacional de Saúde Pública de 17 de outubro de 2024 a 20 de julho de 2025, registaram-se 4.420 infetados, dos quais 3.590 na província de Nampula, e um total de 64 mortos.
Pelo menos 169 pessoas morreram em 2025 em Moçambique devido à cólera, entre cerca de 40 mil casos, avançou em 10 de dezembro último o ministro da Saúde, ao responder a perguntas dos deputados, pedindo às comunidades respeito pelas medidas de higiene individual e coletiva, referindo tratar-se de um problema de saúde pública.
"Recebemos cerca de 3,5 milhões de doses de vacinas para poder tratar e prevenir a cólera e aqui há um aspeto que gostaria de mencionar: É que desses 169 óbitos por cólera, cerca de 70% destes ocorreram na comunidade, o que significa que há um problema sério de informação e comunicação ao nível das comunidades", disse Ussene Isse.
O Governo de Moçambique quer eliminar a cólera "como um problema de saúde pública" no país até 2030, conforme o plano aprovado em 16 de setembro em Conselho de Ministros e avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros).
O objetivo é "ter um Moçambique livre da cólera como um problema de saúde pública até 2030, onde as comunidades têm acesso à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade, alcançados através de ações multissetoriais, coordenadas e informadas por evidências científicas", disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.
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