Streamer espanhol morre em direto. Cumpria desafio com álcool e drogas
- 05/01/2026
Um homem de 37 anos morreu enquanto fazia uma transmissão ao vivo na madrugada de dia 31, em Vilanova i la Geltrú, em Barcelona, Espanha.
Sergio Jiménez foi encontrado pelo irmão, Daniel, no seu quarto. Estava ajoelhado, com a cabeça apoiada no colchão - imóvel e rígido, conta o El Periódico. Na mão inerte, ainda agarrava o telemóvel.
Dani tocou no irmão, sentindo-o gelado e apercebeu-se do pior: "Mãe, o Sergio está morto", disse à sua mãe, Teresa, que via a situação da ombreira da porta do quarto, sem entrar.
Foi Teresa que primeiro se apercebeu que algo estava errado com o filho. Estava a dormir, mas por volta das 2h00 levantou-se para ir à casa de banho.
"Vi que a porta do quarto do Sergio, que morava comigo, estava entreaberta. Perguntei-lhe o que estava a fazer, mas ele não me respondeu. Tentei entrar, mas havia roupa ou algo no chão do quarto e não consegui", recordou Teresa ao mesmo meio de comunicação. "Vi-o ajoelhado na cama, como se estivesse a rezar".
Na mesa do quarto de Sergio estava "uma garrafa de uísque praticamente vazia, algumas latas de bebidas energéticas e uma grande quantidade de cocaína sobre uma placa vermelha", disse Daniel.
Lá estava também o computador de Sergio ainda ligado, com a câmara a gravar e a captar todos os momentos: a emissão não tinha terminado, e os subscritores de Sergio continuavam a ver tudo em direto.
"Já estás a dormir a ressaca, Sergio?", ouvia-se pelo computador. "Ainda não acabaste a garrafa de uísque?", questionava outro observador.
"Chamei a ambulância e disseram-me para o levantar, mas não consegui porque tenho um problema nas costas. Quando lhe toquei, tinha a mão fria", recordou Daniel. "Quando os socorristas chegaram, confirmaram que não havia nada a fazer. Que era preciso chamar a polícia porque o meu irmão estava morto".
Desafio: Sergio tinha de consumir uma garrafa de uísque e seis gramas de cocaína em três horas
Ao que tudo indica, Sergio estaria a cumprir um desafio, feito pelos subscritores que, inclusive, teriam pago o uísque e seis gramas de cocaína. Em troca, Sergio tinha de consumir o álcool e a droga em menos de três horas.
Tanto a mãe, Teresa, como Daniel e o seu outro irmão, Jordi, sabiam do problema de droga de Sérgio, que se encontrava a ser acompanhado por um psiquiatra... e também dos desafios.
"Foi Jordi, o meu filho mais velho, que mora nos Pirineus, que me contou. Ele avisou-nos há alguns meses que o Sergio fazia este tipo de vídeos", confessou Teresa.
Naquele dia, durante a tarde, a mãe de Sergio tinha notado na garrafa de uísque e chamou o filho à atenção.
"Perguntei-lhe onde a tinha conseguido e ele disse-me que tinha sido um 'colega' que lha tinha dado. Lembrei-lhe que ele não podia consumir álcool devido aos medicamentos que tomava para o seu tratamento psiquiátrico", revelou. "Ele disse-me para não me preocupar, porque naquele dia não tinha tomado os comprimidos para poder beber. Pedi-lhe para não o fazer, mas ele não me deu ouvidos e, à noite, trancou-se no quarto."
O irmão, Daniel, tinha-lhe dito dias antes: "Sergio, ou acabas com a droga ou a droga vai acabar contigo".
Sergio terá sido influenciado por outro toxicodependente
No velório de Sergio, havia um nome a ser sussurrado pelos presentes, culpabilizado da morte do homem de 37 anos: Simón Pérez Golarons.
O ex-economista perdeu o emprego em 2017 depois de um vídeo onde aparentava estar sob o efeito de estupefacientes se ter tornado viral. Sem trabalho e ostracizado pela comunidade, Simón sobrevivia a cumprir desafios pela internet.
"Foi ele que ensinou o Sergio a fazer este tipo de desafios. Eles aparecem juntos em muitas transmissões ao vivo", contam os seus amigos no velório.
Este tipo de conteúdo onde pessoas com vícios ou desesperadas por dinheiro se humilham ao vivo em troca de dinheiro não é novidade - e, aliás, tem vindo a crescer. Está a ser chamada de "mendicidade digital".
Streamer francês morre em direto no verão de 2025
No verão de 2025, Raphaël Graven, de 46 anos, conhecido por Jean Pormanove ou JP, morreu enquanto dormia durante uma transmissão ao vivo a partir de França.
O direto durava há vários dias e contava com a participação dos streamers Owen 'Naruto' Cenazandotti e Safine Hamadi - uma colaboração que era comum.
O homem, um ex-militar, tinha sido vítima de episódios de violência e privação de sono durante as transmissões. Além dele, costumava participar um outro homem, conhecido por Coudoux, portador de uma deficiência. Ambos eram frequentemente alvo de agressões, insultos e humilhações, mas apesar da violência, os streamers defendiam que os seus vídeos eram humorísticos.















