Starmer ordena inquérito urgente a ex-ministro sobre relações com Epstein
- 02/02/2026
O secretário-chefe do primeiro-ministro, Darren Jones, confirmou hoje no parlamento britânico que Starmer solicitou uma análise urgente de "todas as informações disponíveis sobre o contacto de Peter Mandelson com Jeffrey Epstein durante o seu período como ministro do governo".
Em causa estão documentos divulgados na sexta-feira pelas autoridades britânicas que indicam a existência de transferências bancárias de Epstein quando Peter Mandelson era deputado do Partido Trabalhista e, posteriormente, ministro.
Mandelson foi deputado entre 1992 e 2004, ministro de várias pastas entre 1997 e 2010, Comissário do Comércio europeu entre 2004 e 2008 e embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos (EUA) entre junho e setembro de 2025.
"Para que não restem dúvidas, esta informação não era do conhecimento do Governo até à divulgação dos documentos pelo Departamento de Justiça na sexta-feira. A natureza dos documentos também levanta sérias preocupações sobre o comportamento de Peter Mandelson enquanto ministro. Peter Mandelson deve prestar contas das suas ações e conduta", vincou Jones.
Segundo o secretário-chefe do primeiro-ministro, Starmer entende que Mandelson não deve manter o lugar na Câmara dos Lordes (câmara alta do parlamento britânico), nem usar o seu título de Lorde.
"O Governo não tem o poder de retirar títulos de nobreza sem legislação. No entanto, o primeiro-ministro apela a todos os partidos políticos, incluindo os Conservadores, enquanto o maior partido na Câmara dos Lordes, para trabalharem com o Governo, a fim de modernizar os procedimentos disciplinares, para permitir a destituição de membros que tenham manchado a reputação da Câmara dos Lordes", indicou.
Um porta-voz do primeiro-ministro já tinha referido hoje que Mandelson deveria testemunhar perante o Congresso dos EUA sobre as suas ligações a Jeffrey Epstein.
Na resposta a Darren Jones, o deputado conservador Alex Burghart aprovou o "anúncio tardio de que será realizada uma investigação sobre a conduta de Mandelson enquanto ministro".
"Mas isso já deveria ter acontecido há muito tempo", criticou, indicando que o inquérito não é suficiente e instou à realização de uma investigação da conduta de Mandelson quando foi embaixador em Washington.
"O Governo sabia que Mandelson mantinha uma relação de longa data e pouco saudável com Epstein e, mesmo assim, continuou com a sua nomeação", recordou.
Peter Mandelson desvinculou-se do Partido Trabalhista no domingo, após novas alegações de que terá recebido dinheiro de Epstein há duas décadas.
Mandelson disse que se afastava para evitar causar "mais vergonha" ao partido do Governo, mas negou as alegações decorrentes da divulgação de mais de três milhões de páginas de documentos relacionados a Epstein pelo Departamento de Justiça dos EUA.
Entre estes estão centenas de mensagens de telemóvel e 'emails' trocados entre Mandelson e o investidor, revelando uma relação próxima do político britânico com o homem a quem chamou de "melhor amigo" em 2003.
Vários documentos referem pagamentos de Epstein a Mandelson ou ao parceiro deste, Reinaldo Avila da Silva.
Alegados extratos bancários de 2003 e 2004 sugerem que uma conta de Epstein enviou três pagamentos no valor total de 75 mil dólares (64 mil euros) para contas ligadas a Mandelson.
Mandelson questionou a autenticidade dos extratos bancários e disse que não se lembrava de ter recebido esse dinheiro e reiterou as "desculpas às mulheres e raparigas cujas vozes deveriam ter sido ouvidas há muito tempo".
Outros documentos sugerem que, em 2009, Epstein enviou a Silva 10 mil libras (cerca de 8,5 mil euros) para pagar um curso de osteopatia.
Os documentos também incluem uma troca de 'emails' de 2009 em que Mandelson, então ministro do Governo britânico, parece dizer a Epstein que iria pressionar outros membros do executivo para reduzir um imposto sobre os bónus dos banqueiros.
Os documentos também sugerem que Mandelson enviou detalhes de discussões confidenciais do Governo britânico a Epstein após a crise financeira global de 2008.
Epstein morreu a 10 de agosto de 2019 numa prisão federal de Nova Iorque, após ter sido acusado de múltiplos crimes de tráfico sexual de jovens mulheres e raparigas menores de idade que poderiam resultar numa pena de prisão de até 45 anos.
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