Socialistas espanhóis arriscam nova derrota histórica no domingo em Aragão
- 07/02/2026
Se se confirmar o cenário previsto por todas as sondagens, repete-se no domingo o que aconteceu há pouco mais de um mês, no final de dezembro, na Extremadura, onde o Partido Popular (PP, direita) foi o mais votado, mas sem alcançar a maioria absoluta e sem grande crescimento desde as eleições anteriores, em maio de 2023.
Repete-se também a possibilidade de uma derrota história do Partido Socialista Espanhol (PSOE) em Aragão, onde poderá ter o pior resultado de sempre nesta autonomia, localizada no nordeste de Espanha.
Já o Vox, de extrema-direita, deverá ser o mais beneficiado com a antecipação das eleições regionais em Aragão, como já aconteceu na Extremadura, com as sondagens a preverem que no domingo poderá alcançar 16,4% dos votos e passar de sete para 12 deputados no parlamento aragonês.
A média das últimas sondagens publicadas dá ao PP 29 deputados regionais (mais um do que os atuais 28) e 18 ao PSOE (menos cinco), num parlamento autonómico em que há 67 lugares e são necessários 34 para formar uma maioria absoluta.
Estas são as primeiras eleições antecipadas em Aragão desde que foi recuperada a democracia em Espanha, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.
O PP já governava a região e o atual presidente do executivo autonómico, Jorge Azcón, antigo presidente da câmara de Saragoça, a capital aragonesa, é recandidato ao cargo.
Jorge Azcón foi investido presidente regional em 2023 com o apoio do Vox, que chegou a integrar o executivo, mas o partido de extrema-direita saiu de todos os governos autonómicos em que estava um ano depois por desentendimentos com o PP relacionados com o acolhimento de menores imigrantes.
Em dezembro passado, Azcón convocou eleições antecipadas depois de o parlamento regional ter chumbado, com os votos contra do Vox, os orçamentos para 2025 que apresentou aos deputados.
Azcón admitiu nas últimas semanas que voltará a negociar com o Vox para garantir a viabilização de outro governo liderado pelo PP em Aragão.
O PSOE apresentou como candidata Pilar Alegría, que foi ministra da Educação e porta-voz do Governo de Espanha liderado por Pedro Sánchez até há dois meses.
As eleições de domingo em Aragão são as segundas do novo ciclo eleitoral em Espanha, iniciado na Extremadura em dezembro passado.
A estas autonómicas seguir-se-ão outras em março em Castela e Leão e em junho na Andaluzia; eleições municipais e regionais na maioria das regiões em maio de 2027 e, por fim, legislativas nacionais em julho do mesmo ano.
As eleições de Aragão, como as da Extremadura, coincidem com um momento de crise e fragilidade do PSOE e de Pedro Sánchez, com dirigentes do partido envolvidos em suspeitas de corrupção e outros casos judiciais, assim com acusações de assédio sexual.
Na sequência das eleições na Extremadura, o líder nacional do PP, Alberto Núñez Feijóo, considerou que "a mudança em Espanha está mais próxima".
"A Extremadura falou e disse que não quer mais sanchismo", escreveu então o líder nacional do PP e líder da oposição em Espanha, na rede social X.
Já os socialistas espanhóis reconheceram o mau resultado na Extremadura, mas criticaram o PP pela decisão de antecipar eleições, numa tentativa de formar maioria absoluta e distanciar-se do Vox, mas acabando por alimentar a extrema-direita.
Com cerca de 1,35 milhões de habitantes em 2024 e 47.700 quilómetros quadrados, Aragão tem das densidades populacionais mais baixas das 17 comunidades autónomas de Espanha.
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