Síria. PKK denuncia tentativa de sabotar processo de paz com a Turquia
- 13/01/2026
O PKK disse que "grupos e mercenários filiados no Estado turco" participaram nos combates ocorridos na semana passada em dois bairros de Alepo.
A violência "põe em causa o cessar-fogo entre o nosso movimento e a Turquia, bem como o processo de paz e para a democracia que daí decorre", afirmou o PKK num comunicado divulgado pela agência pró-curda ANF.
Os combates entre milícias curdo-sírias e o exército sírio em Alepo provocaram 23 mortos e mais de 100 feridos, disseram as autoridades de Alepo no sábado à agência de notícias síria SANA.
O balanço foi divulgado um dia após o exército sírio e as Forças da Síria Democrática, lideradas por milícias curdo-sírias, terem negociado um cessar-fogo para travar os combates que eclodiram em 06 de janeiro, segundo a agência norte-americana The Associated Press (AP).
"Estes ataques contra os bairros curdos [de Alepo], com referências constantes ao PKK, são um ataque que visa minar o movimento de libertação e o cessar-fogo que este implementou meticulosamente", denunciou o grupo armado, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).
O PKK questionou como poderá seguir o apelo do líder histórico, Abdullah Ocalan, para o abandono da luta armada "face a tal atitude", afirmando que, até agora, tem "assumido as suas responsabilidades" perante Ancara.
A partir da cela na Turquia onde se encontra em isolamento desde 1999, Ocalan apelou em fevereiro de 2025 aos combatentes do PKK para que renunciassem à luta armada.
Na sequência do apelo do líder de 76 anos, o PKK, considerado um grupo terrorista pela Turquia, decretou um cessar-fogo unilateral em 01 de março, e anunciou a dissolução em 12 de maio.
A denúncia do PKK segue-se a acusações feitas na segunda-feira à noite pelo AKP, no poder em Ancara, de que a violência em Alepo foi uma tentativa dos combatentes curdos para sabotar o processo de paz.
O exército sírio exigiu hoje que as forças curdas se retirassem da zona que controlam entre o leste de Alepo e o rio Eufrates, depois as ter desalojado da principal cidade do norte do país após violentos combates.
O PKK, fundado em 1978 e considerado como uma organização terrorista pelo Governo da Turquia, defendia a criação de um Estado curdo independente, mas passou a reivindicar uma maior autonomia nas zonas de maioria curda.
O grupo anunciou em outubro de 2025 a retirada completa de todas as forças do território turco para o norte do Iraque.
O processo prevê também o estabelecimento de uma comissão parlamentar para formular as bases jurídicas da paz entre o Estado turco e o PKK.
Em causa, está uma amnistia ou integração dos combatentes do PKK e o pedido de libertação de Ocalan, considerada fundamental para a continuidade do processo.
As duas partes já tinham iniciado um processo de conversações de paz em 2013, que colapsou dois anos depois.
O insucesso dessas conversações resultou num surto de confrontos nas zonas de maioria curda no sudeste e leste da Turquia.
Essas zonas integram o que se considera o Curdistão histórico, que se estende também a partes da Síria, Iraque e Irão.
Segundo o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o conflito entre o PKK e as forças de segurança turcas fez cerca de 50.000 mortos, incluindo 2.000 soldados, desde 1984.
Leia Também: Dois membros do Estado Islâmico detidos na Síria por ataque a mesquita














