Síria. Forças curdas vão retirar-se para leste do rio Eufrates no sábado
- 17/01/2026
"A pedido de países amigos e mediadores, decidimos retirar as nossas forças amanhã de manhã, às 07h00 (04h00 em Lisboa), da área a leste de Alepo e reposicionar-nos a leste do Eufrates", indicou o líder dos curdos.
Na semana passada, eclodiram combates entre o Exército sírio e as forças curdas em Alepo, onde estas últimas foram expulsas dos dois distritos que controlavam.
As forças sírias reuniram então reforços significativos na região de Deir Hafer, a cerca de 50 km a leste de Alepo, e ordenaram às Forças Democráticas da Síria (FDS, dominadas pelos curdos) que evacuassem uma área entre esta região e o rio Eufrates, mais a leste.
Pouco antes do anúncio de Abdi, o Exército tinha anunciado que estava a bombardear posições curdas na região, depois de emitir alertas a civis, enquanto as FDS reportaram "bombardeamentos pesados".
A coligação multinacional liderada pelos EUA interveio para reduzir as tensões entre os dois lados, que contam com o apoio de Washington.
Uma delegação da coligação antijihadista, posicionada no norte da Síria, reuniu-se com responsáveis curdos em Deir Hafer na sexta-feira para "reduzir as tensões", revelou o porta-voz das FDS, Farhad Shami, à agência France-Presse (AFP).
Em pleno conflito com as forças curdas que controlam o norte do país, o Presidente sírio, Ahmad al-Sharaa, anunciou hoje à noite que iria reconhecer, por decreto, os direitos nacionais dos curdos, cuja língua passará a ser oficial, em pleno conflito com as forças curdas que controlam o norte do país.
Pela primeira vez desde a independência da Síria, em 1946, a língua curda será ensinada nas escolas, e o ano novo curdo, Nowruz, será feriado nacional.
O líder islamista afirmou que os curdos são "parte integrante" do país, onde sofreram décadas de marginalização e opressão sob regimes anteriores.
Num discurso televisivo aos curdos, no final do qual assinou este decreto histórico, Ahmad al-Sharaa apelou a que "participassem na construção do país" e prometeu "garantir os seus direitos".
O texto concede também a cidadania aos curdos, dos quais aproximadamente 20% tinham sido privados da cidadania síria após um polémico censo em 1962.
Sharah, à frente de uma coligação islamista, derrubou Bashar al-Assad em dezembro de 2024 e procura alargar a sua autoridade a todo o território sírio.
O seu anúncio surgiu no meio de um impasse nas negociações com os curdos para implementar um acordo assinado em março de 2025, que visa integrar as suas instituições civis e militares no Estado sírio.
Esta minoria aproveitou o caos da guerra civil (2011-2024) para tomar vastos territórios no norte e nordeste da Síria --- incluindo campos de petróleo e gás --- depois de derrotar o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) com o apoio de uma coligação multinacional.
Segundo o analista Fabrice Balanche, especialista em Síria, os curdos somam cerca de dois milhões numa população de 20 milhões e estão concentrados sobretudo no nordeste (1,2 milhões), mas estima-se que existam cerca de 300 mil em Damasco e um número semelhante em Alepo, além de estarem presentes noutras partes da Síria.
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