Rússia lamenta fim do tratado com Estados Unidos sobre armas nucleares

  • 05/02/2026

"A validade do acordo termina. Consideramos isso negativo. Expressamos o nosso pesar a este respeito", declarou aos jornalistas o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

 

O porta-voz da presidência russa disse também que a Rússia respeita a decisão da China de não participar, para já, em discussões sobre armamento nuclear.

A China excluiu hoje tal participação, como pretendia o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"As capacidades nucleares da China estão numa escala completamente diferente das dos Estados Unidos e da Rússia, e [a China] não participará em negociações (...) nesta fase", afirmou em Pequim o porta-voz da diplomacia chinesa Lin Jian.

A vigência do tratado cessou hoje depois de Trump não ter dado seguimento a uma proposta do homólogo russo, Vladimir Putin, para prolongar por um ano os limites impostos às ogivas nucleares previstos no acordo.

"A nossa iniciativa de manter o limite máximo de restrições por mais um ano, mesmo após o termo da vigência deste documento, continua sem resposta", assinalou Peskov, também citado pela agência espanhola Europa Press (EP).

A questão foi abordada na quarta-feira na videoconferência entre Putin e o líder chinês, Xi Jinping, com o líder russo a prometer uma atitude "ponderada e responsável", em função dos interesses da Rússia.

Assinado em 2010 pelos então presidentes Barack Obama e Dmitri Medvedev, o New Start restringia cada lado a um máximo de 1.550 ogivas nucleares e 800 mísseis e bombardeiros, destacados e prontos a utilizar.

Previa também inspeções para verificar o cumprimento, que foram interrompidas em 2020 devido à pandemia de covid-19 sem terem sido retomadas.

Originalmente previsto para expirar em 2021, foi prolongado por cinco anos, até hoje.

O fim do tratado significa a remoção dos limites aos dois maiores arsenais atómicos do mundo pela primeira vez em mais de meio século, o que levantou receios de uma corrida aos armamentos sem restrições.

Moscovo declarou já que os dois países deixaram de estar vinculados a quaisquer obrigações do tratado, ficando "fundamentalmente livres para escolher os seus próximos passos".

Os apelos para a contenção têm-se sucedido, incluindo do chefe da ONU, António Guterres, que considerou que o fim do tratado "não poderia ter ocorrido em pior momento", por o risco do uso de uma arma nuclear ser "o mais elevado em décadas".

No mesmo sentido, o Papa Leão XIV afirmou que a situação atual exigia que se fizesse tudo o que fosse possível "para prevenir uma nova corrida aos armamentos".

Também os sobreviventes japoneses dos bombardeamentos atómicos de 1945 disseram temer que o mundo esteja a caminhar para uma guerra nuclear com o fim do tratado.

Uma fonte da NATO declarou hoje à AFP, na condição de não ser identificada, que a aliança vai manter uma postura de dissuasão face à "retórica nuclear irresponsável da Rússia" e à vontade chinesa de alargar o arsenal.

Segundo a Federação Americana de Cientistas (FAS, na sigla original), criada após os bombardeamentos no Japão para monitorizar os arsenais nucleares, nove países detinham cerca de 12.321 ogivas no início de 2026.

"Os Estados Unidos e a Rússia detêm, em conjunto, aproximadamente 86% do inventário total de armas nucleares do mundo e 83% das ogivas armazenadas e disponíveis para utilização militar", afirmou.

A Rússia liderava com 5.459 ogivas em outubro de 2025, seguida dos Estados Unidos com 5.177.

Na lista da FAS figuravam ainda a China (600 ogivas), França (290), Reino Unido (225), Índia (180), Paquistão (170), Israel (90) e Coreia do Norte (50).

Itália, Turquia, Bélgica, Alemanha, Países Baixos e Bielorrússia acolhem armas nucleares dos respetivos aliados.

[Notícia atualizada às 11h52]

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Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia, alertou que "o inverno vem aí", numa referência à série "Game of Thrones", após o fim do Tratado Novo START sobre desarmamento nuclear com os Estados Unidos.

Márcia Guímaro Rodrigues com Lusa | 08:45 - 05/02/2026

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2933363/russia-lamenta-fim-do-tratado-com-estados-unidos-sobre-armas-nucleares#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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