Rússia confirma ataques ao setor de energia ucraniano durante negociações
- 24/01/2026
O Ministério da Defesa russo disse que realizou durante a noite ataques com mísseis de alta precisão e longo alcance, além de 'drones', contra fábricas de aparelhos não tripulados.
Foram também visadas "instalações energéticas que são utilizadas no interesse da indústria militar da Ucrânia", segundo o relatório de guerra diário, citado pela agência de notícias espanhola EFE.
"Todos os objetivos do ataque foram cumpridos. Todas as instalações assinaladas foram atingidas", acrescentou o ministério.
Os alertas de ataques aéreos soaram em toda a Ucrânia, apesar de representantes ucranianos, russos e norte-americanos estarem reunidos desde sexta-feira em Abu Dhabi para discutir as condições de uma resolução do conflito.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu hoje aos aliados que não atrasassem a entrega de baterias antiaéreas após o novo ataque com 21 mísseis e 375 drones contra a infraestrutura energética ucraniana.
Os ataques fizeram pelo menos um morto e 27 feridos em Kyiv e Kharkiv, no nordeste, segundo as autoridades ucranianas.
A força aérea ucraniana disse que a Rússia usou dois mísseis antinavio 3M22 Zircon, disparados a partir da península da Crimeia, anexada por Moscovo em 2014.
Também disparou 12 mísseis de cruzeiro Kh-22/Kh-32, seis mísseis balísticos Iskander-M/S-300 e um míssil aéreo guiado Kh-59/69.
A vítima mortal e dois dos feridos encontravam-se numa fábrica de doces atingida durante os ataques, que motivaram uma condenação conjunta de Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Suécia, Estónia, Letónia e Lituânia.
"Os ataques contra infraestruturas civis, incluindo o uso de mísseis estratégicos com capacidade nuclear, devem cessar", disseram os ministros dos Negócios Estrangeiros dos oito países nórdicos e bálticos.
Os ministros apelaram à Rússia para que cessasse "de imediato todas as operações militares dirigidas contra as infraestruturas energéticas da Ucrânia".
Advertiram que os ataques, destinados a privar os ucranianos de eletricidade, aquecimento e água em condições de inverno extremamente rigorosas, "constituem um claro incumprimento das obrigações da Rússia ao abrigo do direito internacional humanitário".
"E podem constituir crimes de guerra", avisaram os oito ministros.
Defenderam que os dirigentes russos devem ser responsabilizados pelas violações do direito internacional e disseram acolher com agrado os progressos para criar um mecanismo de compensação para vítimas da guerra e um tribunal especial para crimes de agressão.
Recordaram que, apesar dos esforços internacionais para pôr fim à guerra, Moscovo intensificou os ataques contra Kyiv e outras cidades, o que obrigou as autoridades ucranianas a declarar o estado de emergência em todo o país.
Expressaram também enorme preocupação com os ataques russos a subestações elétricas da Ucrânia, "cruciais para o funcionamento seguro das centrais nucleares ucranianas".
Exigiram, por isso, que Moscovo cesse as ações que colocam em grave perigo a segurança nuclear da Ucrânia e da população civil, podendo afetar potencialmente as zonas circundantes.
"Exortamos energicamente a Rússia a que ponha fim a este comportamento temerário e absolutamente inaceitável", assinalaram.
Os oito países pediram ao Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) para abordar a questão com urgência e "condenar os ataques russos".
"Prestamos homenagem à extraordinária resiliência do povo ucraniano. No entanto, a resiliência por si só não é suficiente", consideraram.
Os ministros garantiram a plena solidariedade com a Ucrânia e o compromisso de apoiar a capacidade defensiva face a novas agressões da Rússia, inclusive com apoio financeiro e militar adicional, bem como a reconstrução do país.
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