"Relógio do Juízo Final" a 85 segundos do fim. Catástrofe a caminho?
- 27/01/2026
O Boletim dos Cientistas Atómicos ajustou, esta terça-feira, dia 27 de janeiro, o "Relógio do Juízo Final" ("Doomsday Clock", em inglês), que está agora mais perto do que nunca da meia noite, o ponto teórico da aniquilação. Mas, o que é que isto significa?
O relógio, note-se, foi colocado a 85 segundos da meia noite, o mais perto que alguma vez esteve na sua história.
Esta curta distância até à meia noite é uma metáfora ao quotidiano daquilo que se passa no mundo, desde as guerras na Ucrânia e no Médio Oriente, as preocupações com a inteligência artificial, entre outros.
Comparado com o ano passado, o "Relógio do Juízo Final" apresenta uma redução de quatro segundos . Esta foi a terceira vez nos últimos quatro anos que os cientistas aproximaram o relógio para mais perto da meia noite.
"Em termos de riscos nucleares, nada em 2025 apontava para uma direção positiva", disse a presidente e CEO do Boletim, Alexandra Bell.
E acrescentou: "Estruturas diplomáticas de longa data estão sob pressão ou a entrar em colapso, a ameaça de testes nucleares explosivos regressou, as preocupações com a proliferação estão a crescer e três operações militares estavam a ocorrer sob a sombra de armas nucleares e da ameaça de escalada associada. O risco de uso de armas nucleares é alto".
Entre o que motivou a aproximação do relógio às 00h00 estão, por exemplo, a agressão contínua da Rússia à Ucrânia, os bombardeamentos dos Estados Unidos ao Irão e os confrontos entre a Índia e o Paquistão. Bell referiu ainda as tensões persistentes na Ásia e as ameaças da China contra Taiwan e, ainda, o regresso de Donald Trump à Casa Branca.
A situação atual é pior do que em 1953, quando o relógio marcou dois minutos para a meia-noite, durante uma das fases mais tensas da Guerra Fria, quando tanto os soviéticos como os norte-americanos realizaram os seus primeiros testes de armas termonucleares.
O Boletim dos Cientistas Atómicos foi criado em 1945 por Albert Einstein, J. Roberto Oppenheimer e por cientistas da Universidade de Chicago. Dois anos depois, a organização criou o Relógio do Juízo Final para transmitir as ameaças feitas pelo homem à existência humana e ao planeta.
O Relógio tornou-se um indicador, universalmente reconhecido, da vulnerabilidade do mundo a uma possível catástrofe mundial.















