Quatro turistas mortos em três meses. Surto assola Cabo Verde?
- 03/02/2026
Elena Walsh foi de ferias para Cabo Verde em agosto do ano passado. A viagem, que visava ser um festejo pela sua entrada na reforma e pelo noivado do filho, acabou da pior forma. Elena seria a primeira de quatro britânicos a perderem a vida na ilha, em três meses.
A mulher viajou com a família para a ilha africana numa viagem que foi planeada com a agência TUI e que incluiu alojamento na cadeia de hóteis RIU.
Apenas alguns dias depois da chegada ao país, a britânica, de 64 anos, começou a sentir-se mal, queixando-se de fortes dores de barriga. A mulher foi transportada para um hospital, onde os médicos acreditavam que a mulher tinha uma apendicite e sujeitaram-na a uma cirurgia de emergência para lhe retirar o órgão.
"Foi a última vez que a vi com vida", recorda o seu marido, revelando que conseguiu ouvir a mulher a chorar dentro do bloco operatório.
O corpo da mulher foi enviado para o Reino Unido onde foi sujeito a nova autópsia. Aqui, as autoridades do país concluíram que a mulher não tinha qualquer problema no apêndice e que a sua causa de morte tinha sido uma paragem cardiorrespiratória. Decretou, ainda, como causa secundária uma gastroenterite, noticia o The Times.
Outras três vítimas seguiram-se
Uma investigação do Sunday Times descobriu que a história de Elena não é única e nos três meses que se seguiram à sua morte, outros três turistas britânicos perderam a vida na ilha. Todos eles, estavam hospedados num resort espanhol e todos procuraram ajuda médica num hospital local.
Karen Pooley, de 64 anos, Mark Ashley, de 55, e David Smith de 54 anos, morreram, de complicações de saúde como gastroenterites, fraturas e paragens cardíacas. A publicação britânica fala num surto do vírus shigelose, referindo que será o segundo surto da doença a afetar esta ilha.
Entretanto, a agência de viagens TUI e a cadeia Riu Hotels já veio a público lamentar as mortes e prestar as suas condolências às famílias.
A situação está a deixar em alerta turistas de todo o mundo mas especialmente britânicos, que já terão questionado o Ministério dos Negócios Estrangeiros sobre se é seguro viajar para ilhas. Já a 15 de dezembro, este órgão terá informado sobre o risco de viajar para a ilha africana devido a esta doença.
O vírus
Embora não tenha havido nenhuma conclusão relativamente à doença que pode ter provocado estas mortes, o The Times recorda que, no final do ano passado, vários países europeus registaram um aumento de casos de shigelose, uma infecção bacteriana que causa diarreia grave, febre e cólicas estomacais.
A doença é causada por fezes contaminadas e é transmitida por alimentos, água ou de pessoa para pessoa. Na maioria dos casos, as pessoas podem recuperar-se sem cuidados médicos, mas para aqueles com condições médicas pré-existentes, pode tornar-se grave.
A maioria das pessoas detetadas com a doença, tinham estado recentemente em Cabo Verde. Uma delas é uma britânica que esteve de lua-de-mel em Santa Maria e foi diagnosticada com o vírus quando regressou a casa.
Segundo o médico britânico Brendan Wren a doença, nos casos mais leves, pode desaparecer em "dois ou três dias", contudo, sendo um vírus "invasivo", pode também ser fatal.
Investigação do The Times
Na investigação que fez ao incidente, a publicação revela que descobriu que as ilhas cabo verdianas foram duas vezes atingidas por um surto de uma doença altamente contagiosa, a mais recente delas a afetar muitos turistas nos últimos meses de 2025.
As autoridades governamentais de Cabo Verde realizaram reuniões de emergência com hotéis e estão a investigar "fontes de água estagnada" e a analisar medidas de controlo de pragas.
Apesar disso, as agências de viagens, sobretudo a Tui, continuam a oferecer pacotes de férias para o país sem alertar os seus clientes para os riscos.
Recorde-se que Cabo Verde é um dos destinos de eleição para muitos turistas, sendo a ilha do Sal e a Boa Vista as duas ilhas mais requisitadas.
Cabo Verde nega surto
O Governo cabo-verdiano negou ontem que haja um surto de infeções gastrointestinais na ilha do Sal, refutando notícias publicadas, no domingo, no Reino Unido, que associam a morte de quatro turistas britânicos a férias passadas na ilha.
"Não existem evidências epidemiológicas públicas que confirmem um surto ativo de shigelose em Cabo Verde e os dados disponíveis não sustentam a interpretação apresentada na notícia", afirmou o ministro da Saúde, Jorge Figueiredo, numa conferência de imprensa, na cidade da Praia.
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