Quase 3 milhões de imigrantes ilegais deixaram EUA no último ano
- 31/01/2026
Os números são do Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), que detém a tutela do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) e que garante estar a preparar terreno "para mais um ano histórico e recordista sob a Presidência de Donald Trump".
"O DHS prendeu e deportou centenas de milhares de imigrantes ilegais com antecedentes criminais em todo o país, incluindo membros de gangues, violadores, sequestradores e traficantes de drogas, graças aos corajosos homens e mulheres do ICE, da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP, sigla em inglês) e de outras agências de aplicação da lei e de imigração. Setenta por cento dos presos pelo ICE são imigrantes ilegais com antecedentes criminais que foram acusados ou condenados por um crime nos EUA", diz o Departamento.
Contudo, embora o Governo de Trump insista que está a visar os "piores dos piores" nas suas políticas de imigração, não cmprovou essa afirmação.
Segundo a organização apartidária e sem fins lucrativos 'FactCheck', um projeto do Centro de Políticas Públicas Annenberg da Universidade da Pensilvânia, nos primeiros três meses do segundo mandato de Trump, 21,9% dos imigrantes detidos não tinham antecedentes criminais.
Essa percentagem subiu para 34,2% nos três meses seguintes e, posteriormente, para 40,5% no trimestre encerrado em meados de outubro.
Este mês, quase 43% dos detidos não tinham condenações ou acusações, de acordo com dados públicos do ICE consultado pelo'FactCheck'.
Entretanto, a percentagem de pessoas presas pelo ICE que possuem condenações criminais - e não apenas acusações pendentes - caiu de 44,7% nos primeiros três meses de Governo Trump para 31,8% nos três meses encerrados em meados de outubro.
Apesar do Governo celebrar os números de deportações, por todo o país multiplicam-se os protestos contra a atuação do ICE, especialmente depois da morte de dois cidadãos norte-americanos este mês, em Minneapolis (Minnesota), às mãos de agentes de imigração: Renee Nicole Good, em 07 de janeiro, e Alex Pretti, em 24 de janeiro.
A onda de protestos registada nos últimos dias obrigou o Governo de Donald Trump a afastar Gregory Bovino, designado como "comandante-chefe" das operações da CBP em Minneapolis e que regressou ao antigo posto em El Centro, na Califórnia.
Rapidamente Minneapolis ficou no centro de uma acirrada batalha dentro dos Estados Unidos sobre a aplicação das leis de imigração.
Cerca de 3.000 agentes do ICE e da CBP estão destacados na cidade, numa força aproximadamente cinco vezes superior à do Departamento de Polícia de Minneapolis, que conta com cerca de 600 polícias.
Agentes de rosto tapado e fortemente armados, a deslocar-se em veículos sem identificação, tornaram-se comuns em alguns bairros, deixando a população em alerta e revoltada.
A abordagem dos agentes é classificada como agressiva pelos moradores, que denunciam abordagens aleatórias para exigirem documentos de cidadania, incluindo a agentes da polícia latinos e negros fora de serviço e a funcionários municipais, segundo disseram autoridades locais à imprensa norte-americana.
Crianças pequenas foram detidas juntamente com os pais e os agentes usaram gás lacrimogéneo em frente a uma escola durante um confronto com manifestantes.
Um alto funcionário do ICE afirmou no domingo que os agentes federais realizaram aproximadamente 3.400 prisões na região, embora não tenha especificado quantos dos detidos possuíam antecedentes criminais.
Face aos protestos contra a atuação do ICE e da CBP, o DHS divulgou um comunicado a indicar que os agentes de imigração estão a enfrentar um aumento de 8.000% nas ameaças de morte e mais de 1.300% nas agressões sofridas, "enquanto arriscam as suas vidas para remover assassinos, pedófilos, violadores, membros de gangues e terroristas dos bairros americanos".
O denominado "'czar' da fronteira" da Casa Branca, Tom Homan, sinalizou na quinta-feira uma possível redução nas operações anti-imigração em Minneapolis, mas o autarca da cidade, Jacob Frey, diz que só acreditará a vir acontecer.
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