Putin: "Países sofrem com desrespeito pelos seus direitos soberanos"

  • 15/01/2026

"Dezenas de países de todo o mundo sofrem com o desrespeito pelos seus direitos soberanos, com o caos e a desordem, pois não têm força nem recursos para se defenderem", declarou Putin durante uma cerimónia de acreditação de embaixadores em Moscovo no Kremlin, transmitida em direto pela televisão.

 

O líder russo não mencionou explicitamente a operação norte-americana, no início do ano em Caracas, para afastar o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, nem as ameaças de intervenção militar na Gronelândia e no Irão.

Manifestou, no entanto, solidariedade com Cuba em defesa da sua soberania e independência, quando a diplomacia de Washington tem também visado o Governo de Havana.

"Sempre prestámos e continuamos a prestar assistência e apoio aos nossos amigos cubanos, e solidarizamo-nos com a sua determinação em defender a sua soberania e independência com todas as suas forças", disse Putin.

Anteriormente, a porta-voz do Ministério dos Negócios declarou que a Rússia está a acompanhar de perto os acontecimentos na América Latina e nas Caraíbas e expressou preocupação com o aumento das tensões e da retórica belicosa em relação a Cuba.

Ao mesmo tempo, Maria Zakharova observou que qualquer decisão do sistema judicial norte-americano em relação a Nicolás Maduro, capturado em 03 de janeiro pelas forças norte-americanas e levado para Nova Iorque, será ilegal.

"De acordo com as normas do Direito internacional reconhecidas por todos e baseadas no princípio da igualdade soberana dos Estados, Nicolás Maduro, enquanto chefe de Estado, goza de imunidade absoluta perante a jurisdição dos Estados Unidos e de qualquer outro Estado", afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, em conferência de imprensa.

A porta-voz da diplomacia de Moscovo comentou ainda que as declarações ocidentais sobre os alegados planos de Moscovo para a Gronelândia são "um mito", após o anúncio do envio de tropas adicionais da NATO para a região e sugestões de Washington nesse sentido.

"O mito de uma alegada ameaça russa, ardentemente promovido durante muitos anos pela Dinamarca e outros membros da União Europeia e da NATO", é "particularmente ambíguo" à luz das recentes declarações dos Estados Unidos sobre a Gronelândia, declarou Maria Zakharova, aludindo às ambições da Casa Branca sobre o território. .

Na cerimónia de hoje no Kremlin, Vladimir Putin defendeu que "o mundo exige esforço, responsabilidade e uma escolha consciente" e apelou a todos os países para que respeitem o Direito internacional, a fim de criar uma nova ordem mundial multipolar mais justa.

"Uma ordem mundial em que cada país tenha o direito ao seu próprio modelo de crescimento, a decidir o seu próprio destino e a preservar a sua cultura e tradições sem influência externa", sustentou o líder da Rússia, que iniciou há quase quatro anos a invasão da vizinha Ucrânia.

Putin insistiu que a segurança de um país não pode ser garantida à custa de outros e apelou para o regresso à proposta do Kremlin de discutir a criação de uma nova arquitetura de segurança europeia e global.

Os imperativos da Carta das Nações Unidas, que incluem o respeito pela soberania, a não interferência nos assuntos internos e a resolução de litígios através do diálogo, "são agora mais necessários do que nunca", advertiu.

"A relevância disto é evidente. Especialmente agora, à medida que a situação no cenário internacional se deteriora cada vez mais", prosseguiu o líder do Kremlin, acrescentando que "a paz não surge por si só; é construída todos os dias".

Dirigindo-se a dez embaixadores europeus, incluindo Portugal, que lhe apresentaram hoje as suas credenciais, o Presidente russo alertou que as relações com a Europa "deixam muito a desejar" e manifestou confiança em restaurá-las no futuro.

"Quero acreditar que, com o tempo, a situação irá mudar e os nossos países regressarão a uma comunicação normal e construtiva, baseada no respeito pelos interesses nacionais e na consideração das legítimas preocupações de segurança", afirmou, referindo igualmente que espera um acordo de paz "o mais depressa possível" com a Ucrânia, apesar do impasse negocial nas últimas semanas.

A cerimónia de entrega de credenciais de embaixadores estrangeiros foi a primeira em mais de um ano e contou com a presença de mais de 30 diplomatas, entre os quais se encontravam embaixadores de dez países europeus, bem como os chefes de missões diplomáticas de Cuba, Brasil, Uruguai, Colômbia e Peru, além dos novos representantes de Israel e do Afeganistão.

Leia Também: Putin diz querer voltar a diálogo "normal e construtivo" com a Europa

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2920142/putin-paises-sofrem-com-desrespeito-pelos-seus-direitos-soberanos#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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