Putin disposto a receber Zelensky (desde que seja em Moscovo)
- 28/01/2026
"E, ao mesmo tempo, garantimos a segurança deles e as condições de trabalho necessárias", declarou à televisão Yuri Ushakov, assessor de política internacional da Presidência russa.
Ushakov recordou que Putin declarou em várias ocasiões à imprensa que, se Zelensky estiver realmente disposto a reunir-se, então convidá-lo-ia para ir a Moscovo".
Segundo indicou, esta questão "foi discutida várias vezes durante os contactos telefónicos" entre Putin e o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
"Em particular, Trump pediu-nos que estudássemos essa possibilidade. O importante é que estes contactos estejam bem preparados. Isso é o primeiro ponto. E o segundo é que estejam orientados para a obtenção de resultados positivos concretos", sublinhou.
Ushakov reagia às declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, Andri Sibiga, segundo as quais Zelensky está disposto a reunir-se com o chefe do Kremlin para resolver os principais entraves nas negociações de paz: a questão territorial e o controlo da central nuclear de Zaporijia.
Putin e Zelensky reuniram-se apenas uma vez desde que o segundo assumiu a presidência ucraniana. O encontro teve lugar em dezembro de 2019, em Paris, na presença dos líderes de França e da Alemanha.
Zelenski rejeitou, na altura, o convite para viajar a Moscovo, tendo igualmente manifestado reservas quanto a um eventual encontro em Budapeste, devido às más relações com o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.
O Kremlin considerou hoje "um progresso" o simples facto de se terem realizado negociações tripartidas sobre a Ucrânia, com mediação dos Estados Unidos, na semana passada, em Abu Dhabi.
"Isto, o início de um diálogo deste tipo, já pode ser considerado, por si só, um progresso. O trabalho está em curso. E é positivo que tenha começado com contactos diretos. [...] Como sabem, foi alcançado um acordo para a sua continuação. Este trabalho irá prosseguir", afirmou o porta-voz presidencial, Dmitri Peskov, na sua habitual conferência de imprensa telefónica diária.
Peskov assegurou na segunda-feira que "seria um erro esperar grandes resultados dos primeiros contactos" e recordou que "não é segredo para ninguém" que "a questão territorial, que faz parte da 'fórmula de Anchorage', tem, naturalmente, uma grande importância para a parte russa".
O porta-voz do Kremlin referia-se ao facto de Moscovo não declarar um cessar-fogo enquanto as tropas ucranianas não abandonarem o território do Donbass, onde Kiev ainda controla mais de um quinto da região de Donetsk.
Ambas as partes consideraram construtivas as negociações, nas quais, segundo o presidente ucraniano, foram abordados "os possíveis critérios para o fim da guerra".
A imprensa ocidental sugeriu que os Estados Unidos ligaram diretamente a retirada ucraniana do Donbass à concessão a Kiev de garantias de segurança para evitar uma futura agressão russa.
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