Protestos no Irão contra dificuldades económicas alastram a todo o país

  • 08/01/2026

Até ao momento, a violência em torno das manifestações já matou pelo menos 38 pessoas e mais de 2.200 foram detidas, declarou a organização Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos.

 

"A falta de uma alternativa viável [de liderança] minou os protestos anteriores no Irão", declarou Nate Swanson, do Atlantic Council, sediado em Washington, organização que estuda o Irão.

"Há mil ativistas dissidentes iranianos que, se tivessem uma oportunidade, poderiam tornar-se estadistas respeitados, como fez o líder trabalhista Lech Walesa na Polónia, no final da Guerra Fria. Mas, até agora, o aparelho de segurança iraniano prendeu, perseguiu e exilou todos os potenciais líderes transformadores do país", avaliou Swanson.

O crescimento dos protestos aumenta a pressão sobre o Governo civil do Irão e o seu líder supremo, o ayatollah Ali Khamenei. Até agora, as autoridades não bloquearam a internet nem mobilizaram forças de segurança em grande escala nas ruas, como fizeram para reprimir os protestos de 2022 contra a morte da jovem Mahsa Amini.

Na quarta-feira, que foi o dia mais intenso de manifestações, os protestos atingiram cidades rurais e grandes centros urbanos de todas as províncias, embora se mantenham ainda muito localizados.

Pelo menos 37 protestos ocorreram em todo o país, disseram ativistas, incluindo em Shiraz.

Vídeos que circulam na internet mostravam o que parece ser um camião antimotim a usar um canhão de água contra manifestantes.

A agência de notícias estatal IRNA, que se tem mantido praticamente em silêncio sobre as manifestações, noticiou uma manifestação em massa em Bojnourd, bem como manifestações em Kerman e Kermanshah.

As autoridades iranianas não reconhecem a dimensão dos protestos. No entanto, houve relatos de agentes de segurança feridos ou mortos.

As manifestações continuam hoje, com os comerciantes a encerrarem as suas lojas na província do Curdistão iraniano.

As manifestações, até ao momento, parecem estar sem liderança, tal como outras vagas de protestos no Irão nos últimos anos. No entanto, o príncipe herdeiro exilado do Irão, Reza Pahlavi, filho do falecido Xá, pediu ao povo iraniano que se manifeste, mesmo através das janelas e telhados de suas casas, hoje e sexta-feira à partir das 20:00 (16:30 em Lisboa).

"Onde quer que estejam, seja nas ruas ou mesmo nas vossas próprias casas, convoco-vos a começarem a cantar exatamente a esta hora", disse Pahlavi num vídeo na internet que foi também divulgado pelos canais de notícias satélites iranianos no estrangeiro.

"Com base na resposta a este apelo, anunciarei os próximos apelos à ação", referiu Pahlavi.

A participação das pessoas será um sinal de possível apoio a Pahlavi, cujo apoio a Israel e de Israel tem sido alvo de críticas no passado --- particularmente após a guerra de 12 dias que Israel travou contra o Irão em junho.

As pessoas manifestaram-se em apoio do Xá em alguns protestos, mas não é claro se isso representa o apoio a Pahlavi ou um desejo de regressar a um tempo anterior à Revolução Islâmica de 1979.

Entretanto, a laureada com o Prémio Nobel da Paz Narges Mohammadi continua detida pelas autoridades, desde dezembro.

O Irão tem enfrentado uma série de protestos em todo o país nos últimos anos.

Com o endurecimento das sanções e as dificuldades enfrentadas pelo Irão após uma guerra de 12 dias com Israel em junho, a sua moeda, o rial, caiu a pique em dezembro.

Os protestos começaram pouco depois, com as pessoas a manifestarem-se contra a teocracia iraniana.

Leia Também: Irão considera "ameaça" declarações de Trump e Netanyahu sobre protestos

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2915679/protestos-no-irao-contra-dificuldades-economicas-alastram-a-todo-o-pais#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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