Primeiro-ministro palestiniano insta em Davos a ação internacional
- 21/01/2026
Segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete, o primeiro-ministro palestiniano "insistiu na necessidade de uma ação internacional eficaz, particularmente da União Europeia, para travar as medidas israelitas contra o povo palestiniano, retomar a transferência das receitas fiscais palestinianas retidas e abrir as passagens fronteiriças da Faixa de Gaza para permitir a entrada de ajuda humanitária".
Mustafa emitiu estes apelos numa reunião com o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros belga, Maxime Prévot.
No encontro, participaram também, segundo a nota de imprensa, o embaixador palestiniano na Suíça e junto da ONU em Genebra, Ibrahim Khraishi, e outros representantes diplomáticos.
O chefe do executivo palestiniano agradeceu à Bélgica o seu apoio "político e humanitário ao povo palestiniano" e o reconhecimento do Estado da Palestina, classificando tal passo como "um apoio genuíno à solução de dois Estados".
Por sua vez, o chefe da diplomacia belga sublinhou a necessidade de consolidar o cessar-fogo em Gaza, em vigor desde 10 de outubro de 2025, e garantir a prestação de assistência humanitária que responda às necessidades urgentes da população.
O ministro belga destacou também a rejeição pelo seu país das políticas de colonização de Israel, referindo-se à decisão de suspender os serviços consulares aos cidadãos belgas residentes em colonatos na Cisjordânia ocupada.
Prévot reiterou igualmente o apoio da Bélgica ao "plano de recuperação e reconstrução" da Faixa de Gaza e a "um processo político que conduza à criação de um Estado palestiniano".
De acordo com o comunicado, o ministro referiu ainda o apoio de Bruxelas ao processo apresentado pela África do Sul contra Israel no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) por genocídio do povo palestiniano, em mais de dois anos de guerra israelita na Faixa de Gaza.
Em dezembro de 2025, o Governo belga solicitou ao TIJ, principal instância judicial da ONU, autorização para intervir no caso contra Israel por violação das suas obrigações ao abrigo da Convenção sobre o Genocídio, com a sua ofensiva militar em Gaza.
Israel declarou a 07 de outubro de 2023 uma guerra na Faixa de Gaza para "erradicar" o movimento islamita palestiniano Hamas, horas depois de este ter realizado em território israelita um ataque de proporções sem precedentes, matando cerca de 1.200 pessoas e sequestrando 251.
A guerra de retaliação israelita no enclave palestiniano fez, até agora, mais de 71.550 mortos -- mais de 20.000 dos quais crianças -- e mais de 172.000 feridos, segundo números atualizados (com as vítimas das quebras do cessar-fogo por Israel) pelas autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.
Fez igualmente milhares de desaparecidos, soterrados nos escombros e espalhados pelas ruas, e mais alguns milhares que morreram de doenças, infeções, frio e fome, causada por mais de dois meses de bloqueio total de ajuda humanitária e pela posterior entrada a conta-gotas de bens essenciais, distribuídos em pontos considerados "seguros" pelo Exército, que regularmente abria fogo sobre civis famintos.
Há muito que a ONU declarara o território em grave crise humanitária, com mais de 2,1 milhões de pessoas numa "situação de fome catastrófica" e "o mais elevado número de vítimas alguma vez registado" pela organização em estudos sobre segurança alimentar no mundo, mas a 22 de agosto emitiu uma declaração oficial do estado de fome na cidade de Gaza e suas imediações.
Já no final de 2024, uma comissão especial da ONU acusara Israel de genocídio em Gaza e de usar a fome como arma de guerra, situação também denunciada por países como a África do Sul junto do TIJ, e uma classificação igualmente utilizada por organizações internacionais de defesa dos direitos humanos.
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