Polícia londrina rebate alegações de maior criminalidade com "factos"
- 12/01/2026
"Somos uma organização baseada em factos. Por isso, não entro em debates ou retórica com políticos britânicos ou quaisquer outros políticos. Não é o meu trabalho. Tudo o que podemos fazer é continuar a ter sucesso e continuar a divulgar o máximo de informação possível", afirmou a um grupo de jornalistas estrangeiros, entre os quais estava a agência Lusa.
Rowley respondia, indiretamente, ao Presidente norte-americano, Donald Trump, que alegou em novembro que Londres é tão perigosa que "as pessoas estão a ser esfaqueadas no rabo" e que o presidente da câmara municipal, Sadiq Khan, responsável máximo pela segurança, é um "desastre".
"Ele está a deixar o crime crescer. Há zonas em Londres e em Paris onde a polícia nem sequer ousa entrar", insistiu o Presidente dos EUA, numa entrevista à estação GB News.
Para apresentar "factos", o chefe da Scotland Yard, como a força policial também é conhecida, convidou alguns jornalistas para discutir os resultados do ano passado, quando os números mostram que os homicídios e a violência grave desceram para os níveis mais baixos dos últimos anos.
Em 2025, revelou, ocorreram 97 homicídios em Londres, uma redução de 11% em relação aos 109 registados em 2024, o valor mais baixo desde 2014, apesar de a população da cidade ter crescido mais de meio milhão de pessoas nesse período.
A taxa de homicídios é atualmente de 1,1 por 100 mil pessoas, inferior à de qualquer outra cidade do Reino Unido e abaixo da de muitas grandes cidades comparáveis, incluindo Nova Iorque (2,8), Berlim (3,2), Milão (1,6) e Toronto (1,6), e muito abaixo das taxas das principais cidades dos Estados Unidos, como Los Angeles, Houston, Chicago e Filadélfia.
Segundo os dados divulgados, os homicídios de adolescentes, muitas vezes em destaque nas notícias devido a esfaqueamentos em Londres, caíram para o seu nível mais baixo em quase três décadas, igualando 2012.
No ano passado foram registadas oito vítimas mortais adolescentes, uma redução de 73% desde 2021, representando 8,3% de todos os homicídios na capital.
Os incidentes violentos que resultaram em ferimentos diminuíram 20% no mesmo período, enquanto os disparos de armas de fogo são agora menos de metade do nível verificado há sete anos.
Mark Rowley vincou que a 'Met' continuará a "colocar os factos em cima da mesa, e não apenas os nossos factos, mas também os factos de outras entidades", citando dados hospitalares que mostram que a violência com ferimentos diminuiu e o forte fluxo de pessoas no centro como indicadores de segurança e confiança.
Mas o escrutínio constante e a atenção redobrada a que a força está sujeita implicam um fluxo permanente de informação, seja em comunicados, entrevistas e conferências de imprensa, seja em vídeos nas redes sociais como o TikTok.
"Estamos a fazer o nosso trabalho no que diz respeito ao combate ao crime, mas reconhecemos que existem todo o tipo de perceções a circular pelo mundo em todas as direções, em comunidades cada vez mais polarizadas. O nosso dever é continuar a apresentar os factos", enfatizou Rowley.
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