Planos de execução de manifestantes no Irão interrompidos, diz Trump
- 15/01/2026
"Fomos informados de que as mortes no Irão estão a parar - pararam - estão a parar", disse Trump.
"E não há qualquer plano para execuções, nem uma execução, nem execuções - isso foi-me informado por fontes fidedignas", adiantou.
Antes, o chefe do poder judicial iraniano sugeriu que os manifestantes detidos nos protestos das últimas semanas no país serão sujeitos a julgamentos sumários e execuções, tratamento que o Presidente norte-americano ameaçou levar a retaliações.
Enquanto ativistas alertam que os enforcamentos dos milhares de detidos nas manifestações poderão ocorrer em breve, o responsável judicial da República Islâmica, Gholamhossein Mohseni-Ejei, defendeu tratamento "rápido" dos casos, num vídeo partilhado online pela televisão estatal iraniana.
"Se queremos fazer um trabalho, devemos fazê-lo agora. Se queremos fazer algo, temos de o fazer rapidamente", disse Mohseni-Ejei.
"Se demorar dois ou três meses, não terá o mesmo efeito. Se queremos fazer alguma coisa, temos de a fazer rapidamente", adiantou.
Os comentários representaram um desafio direto a Trump, que numa entrevista à CBS na terça-feira alertou o regime islamita de Teerão para as consequências das execuções.
"Se o fizerem, tomaremos medidas muito duras", disse o Presidente norte-americano.
Trump tem alertado repetidamente para uma possível ação militar norte-americana devido ao assassínio de manifestantes pelas forças segurança, meses depois dos bombardeamentos de instalações nucleares iranianas em junho, na guerra de 12 dias iniciada por Israel contra a República Islâmica.
Na terça-feira, o presidente consultou a sua equipa de segurança nacional sobre os próximos passos, depois de declarar à imprensa que considerava as mortes no Irão "significativas".
O vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado Marco Rubio e importantes funcionários do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca começaram a reunir-se na passada sexta-feira para desenvolver opções de intervenção, que vão desde uma abordagem diplomática a ataques militares.
Um diplomata árabe do Golfo disse à Associated Press (AP) sob anonimato que os principais governos do Médio Oriente têm desencorajado a administração Trump de iniciar uma guerra com o Irão, temendo "consequências sem precedentes" para a região, que se poderiam transformar numa "guerra em grande escala".
O Irão ameaçou realizar um ataque preventivo, alegando, sem apresentar provas, que Israel e os Estados Unidos orquestraram os protestos.
Segundo a agência AP, a população no Irão permanece intimidada, enquanto agentes de segurança à paisana circulam por alguns bairros, embora a polícia anti-distúrbios e membros da força paramilitar voluntária Basij, ligada à Guarda Revolucionária, parecessem ter regressado aos seus quartéis.
O Irão está a ser agitado por uma nova vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.
As autoridades iranianas receberam inicialmente com compreensão os protestos, mas entretanto endureceram a sua posição e repressão contra os manifestantes, que passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e Israel, a que se juntaram entretanto relatos de condenações à pena de morte e execuções extrajudiciais de manifestantes detidos.
A Iran Human Rights (IHRNGO) elevou hoje para 3.428 mortes registadas nos protestos que abalam o Irão há mais de duas semanas, alertando que são casos que conseguiu verificar e que o número real deverá ser superior.
Em comunicado no seu 'website', a organização não-governamental (ONG), com sede em Oslo, indicou que a maioria das mortes (3.379) foi registada entre 08 e 12 de janeiro, segundo fontes consultadas do Ministério da Saúde e Educação Médica da República Islâmica, a que somam vários milhares de feridos.
A IHRNGO alertou para "o risco de execuções em massa de manifestantes após julgamentos espetaculares", apelando mais uma vez à comunidade internacional para que atue de forma "a prevenir as atrocidades e a proteger o povo do Irão" da repressão das autoridades.
"Após o massacre de manifestantes nas ruas nos últimos dias, o poder judicial da República Islâmica está a ameaçar os manifestantes com execuções em grande escala. A comunidade internacional deve levar estas ameaças extremamente a sério", observou Mahmood Amiry-Moghaddam, diretor da IHRNGO, citado no comunicado.
A ONG assinalou também que acima de 10 mil pessoas foram detidas desde o início dos protestos, iniciados em Teerão e que se espalharam desde então por mais de 190 cidades em todas as 31 províncias do país.
A organização observou ainda que os relatos apontam para que a maioria dos mortos tinha menos de 30 anos e que pelo menos 15 eram menores.
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