Pelo menos 200 mortos em desabamento de mina no leste da RDC
- 31/01/2026
O desabamento ocorreu na quarta-feira nas minas de Rubaya, controladas pelos rebeldes do M23, disse à agência Associated Press (AP) Lumumba Kambere Muyisa, porta-voz do governador da província de Kivu do Norte, nomeado pelos rebeldes.
Muyisa notou que o deslizamento de terra foi causado por chuvas fortes. "Por enquanto, há mais de 200 mortos, alguns dos quais ainda estão na lama e ainda não foram recuperados", acrescentou.
O responsável indicou ainda que vários feridos foram levados para três unidades de saúde na cidade de Rubaya.
O governador do Kivu do Norte nomeado pelos rebeldes suspendeu temporariamente a mineração artesanal no local e ordenou a transferência dos residentes que construíram abrigos perto da mina, referiu Muyisa.
Rubaya fica no coração do leste da RDC, uma região rica em minerais que há décadas é devastada pela violência das forças governamentais e de diferentes grupos armados, incluindo o M23, apoiado pelo Ruanda, e cujo recente ressurgimento intensificou o conflito, agravando uma crise humanitária já grave.
Mais de 15% do abastecimento mundial de tântalo, metal raro extraído do coltan e que é uma componente essencial na produção de 'smartphones', computadores e motores de aeronaves, provém da região de Rubaya.
Em maio de 2024, o M23 tomou a cidade e assumiu o controlo das minas. De acordo com um relatório da ONU, desde que tomaram Rubaya, os rebeldes impuseram impostos sobre o comércio e o transporte de coltan, gerando pelo menos 800 mil dólares (675 mil euros) por mês.
O leste da RDC vive em crise há décadas. Vários conflitos geraram uma das maiores crises humanitárias do mundo, com mais de sete milhões de pessoas deslocadas, incluindo 100 mil que fugiram da casa este ano.
Apesar da assinatura de um acordo entre os governos congolês e ruandês, mediado pelos Estados Unidos, e das negociações em curso entre os rebeldes e o a RDC, os combates continuam em várias frentes no leste do país, causando inúmeras baixas civis e militares.
O acordo entre a RDC e o Ruanda também abre o acesso a minerais críticos para o Governo dos EUA e empresas norte-americanas.
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