Passagem de Rafah reaberta mas só duas centenas de palestinianos entraram no Egito
- 09/02/2026
Não há números oficiais das autoridades israelitas ou egípcias sobre a primeira semana da reabertura parcial da passagem fronteiriça que liga o enclave palestiniano ao Egito, segundo a agência de notícias espanhola EFE.
Na ausência de dados oficiais, a EFE esclareceu que obteve números sobre as entradas e saídas junto de fontes diplomáticas e do Crescente Vermelho Palestiniano e Egípcio.
No final de janeiro, a Al-Qahera News, um meio de comunicação social ligado aos serviços de informações egípcios, noticiou que se esperava que 150 pessoas atravessassem Rafah diariamente. Já uma fonte da segurança egípcia disse à EFE que tinha sido alcançado um acordo para que 150 pessoas por dia saíssem de Gaza e outras 50 entrassem no enclave.
Segundo estas fontes, cerca de 230 habitantes de Gaza, incluindo doentes, feridos e respetivos acompanhantes, saíram do enclave para o Egito para receber tratamento médico na primeira semana e outros 140 entraram na Faixa de Gaza vindos do território egípcio.
Entre 15 e 56 pessoas saíram do enclave palestiniano diariamente e entre 12 e 44 entraram na Faixa de Gaza por dia, de acordo com os números citados pela EFE.
Os números mais recentes, segundo uma fonte do Crescente Vermelho Egípcio, indicam que no domingo 11 doentes e 33 acompanhantes abandonaram Gaza, e segundo outra fonte palestiniana da mesma organização, 44 pessoas entraram no enclave palestiniano.
A passagem de Rafah, na fronteira com o Egito e controlada do lado palestiniano pelas forças israelitas, foi reaberta na segunda-feira da semana passada pela primeira vez em quase dois anos -- exceto por um breve período no início de 2025.
A reabertura da passagem fronteiriça aconteceu ao abrigo de um acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, que entrou em vigor em outubro passado, mas apenas para pessoas e não para mercadorias e outros bens, conforme estipulado no plano de tréguas.
O plano de paz para Gaza, composto por cerca de 20 pontos e desenvolvido pela administração do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estipulava que Rafah seria aberta em ambas as direções ao abrigo do mesmo mecanismo do acordo de cessar-fogo de janeiro de 2025 -- que durou três meses --, permitindo a entrada de ajuda humanitária, bem como de pessoas.
Nestes primeiros sete dias após a reabertura, Israel não permitiu a entrada de ajuda humanitária e, segundo a imprensa egípcia, o número de pessoas que atravessaram a fronteira foi inferior ao inicialmente acordado.
A EFE solicitou repetidamente dados sobre entradas e saídas ao organismo militar israelita que gere os assuntos civis nos territórios ocupados (COGAT), responsável pelas passagens com Gaza, mas, até ao momento, não obteve qualquer informação.
A passagem esteve operacional durante cinco dos primeiros sete dias, uma vez que esteve encerrada na sexta-feira e no sábado, coincidindo com o fim de semana em Israel e no Egito.
Por esta passagem, saíram palestinianos feridos ou doentes que necessitavam de assistência médica, juntamente com os seus acompanhantes, e entraram no enclave os habitantes de Gaza que tinham saído durante a guerra para receber tratamento em hospitais egípcios.
Tanto os palestinianos que entraram como os que saíram relataram problemas na travessia da fronteira, onde foram sujeitos a controlos de segurança egípcios e israelitas, com o apoio de pessoal da missão da União Europeia (UEBAM).
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