Partido de Sanae Takaichi obtém dois terços do parlamento do Japão
- 10/02/2026
Este resultado é o melhor da história do PLD e permite à líder ultraconservadora consolidar o seu mandato para implementar o programa económico expansivo no arquipélago de 123 milhões de habitantes durante os próximos quatro anos.
Tornada em outubro a primeira mulher a liderar o Governo japonês e aproveitando desde então um estado de graça, Takaichi dissolveu no final de janeiro a Câmara Baixa do Parlamento, onde a sua coligação governamental tinha a maioria.
Aposta amplamente ganha: a coligação formada pelo PLD e o Ishin (Partido para a Inovação, centro-direita) obteve um total de 351 cadeiras das 465 que compõem a Câmara Baixa, de acordo com dados do Ministério do Interior.
Na legislatura anterior, o PLD tinha apenas 198 cadeiras, enquanto o Ishin detinha 34.
As eleições também viram o partido anti-imigração Sanseito aumentar o número de assentos, passando de dois para quinze, segundo os resultados.
A nova Aliança Centrista para a Reforma, formada pelo principal partido da oposição, o Partido Democrático Constitucional (centro-esquerda), e pelo antigo parceiro do PLD, o pequeno partido budista Komeito, sofreu uma derrota esmagadora, com o número de assentos a cair de 167 para 49.
Takaichi foi calorosamente felicitada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, com quem deverá encontrar-se em meados de março, em Washington.
A vitória coloca-a na esteira do seu mentor, Shinzo Abe (primeiro-ministro em 2006-2007 e depois em 2012-2020), que marcou profundamente o país com posições nacionalistas e um programa económico, que incluía, nomeadamente, medidas de relançamento orçamental.
Do ponto vista externo, a região Ásia-Pacífico estará atenta ao desenvolvimento das tensões sino-japonesas, que assumiram uma nova dimensão desde que Sanae Takaichi sugeriu, em novembro, que Tóquio poderia intervir militarmente em caso de ataque da China a Taiwan, cuja soberania é reivindicada por Pequim.
Os mercados financeiros também podem ficar preocupados com o desequilíbrio das finanças públicas nipónicas e, sobretudo, com a escalada da já enorme dívida pública, se Takaichi continuar a reforçar as medidas de estímulo orçamental para impulsionar a quarta maior economia mundial.
Fortalecida pela perspetiva de maiores gastos orçamentais e benefícios fiscais, a Bolsa de Tóquio subiu mais de 5% na sessão de segunda-feira e voltou hoje a abrir em ganhos e novos níveis recordes.
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