PAM precisa de 26,7 milhões para apoio a vítimas de cheias em Moçambique
- 30/01/2026
"A agência necessita urgentemente de 32 milhões de dólares para os próximos três meses para fornecer apoio alimentar e nutricional essencial às famílias afetadas pelas cheias", lê-se num comunicado do PAM, que está a usar veículos anfíbios especializados, barcos, camiões, aeronaves de asa fixa e helicópteros para dar assistência às comunidades afetadas.
A diretora nacional e representante do PAM em Moçambique, Claire Conan, disse que a organização tem à disposição equipas técnicas para "intensificar rapidamente" a assistência alimentar e nutricional às famílias, mas as operações estão condicionadas por falta de financiamento.
"Temos as equipas, a logística e a competência para intensificar rapidamente a assistência alimentar e nutricional às famílias afetadas pelas cheias em Moçambique. No entanto, a falta de financiamento está a restringir a nossa capacidade de apoiar o número crescente de pessoas que precisam de apoio", disse Conan, citada no comunicado.
A responsável referiu ainda que as cheias que afetam Moçambique são tanto uma emergência como uma ameaça à segurança alimentar a longo prazo, à medida que duplicou o número de pessoas afetadas pela crise e que precisam do apoio do PAM em todo o país.
"Grandes áreas de terras agrícolas ficaram submersas, o que irá afetar as colheitas vindouras e provavelmente levará à escassez de alimentos e ao aumento dos preços. Instamos a comunidade internacional a apoiar tanto a resposta imediata como as iniciativas de segurança alimentar a longo prazo no país", disse a diretora nacional.
A agência da ONU refere ainda que a falta de financiamento já obrigou o programa a reduzir o número de moçambicanos que recebem apoio no norte do país em 60% em comparação com 2024, alertando que, sem financiamento imediato, será implementada uma redução adicional de 40% em março, e espera-se uma paralisação completa da assistência em maio.
Moçambique regista um total de 22 mortos nas cheias das últimas semanas, com 700 mil afetados, 3.541 casas parcialmente destruídas, 794 totalmente destruídas e 165.946 inundadas, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e 10 desaparecidos na sequência destas cheias, desde 07 de janeiro, numa altura em que famílias ainda aguardam socorro no sul de Moçambique.
Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas semanas de cheias, há registo de 146 mortos, além de 148 feridos e de 820.984 pessoas afetadas, segundo os dados do INGD.
Prosseguem ações e tentativas de socorro de famílias sitiadas pelas cheias, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas durante vários dias, que têm levado as barragens, incluindo dos países vizinhos, a realizarem descargas, por falta de capacidade de encaixe.
A União Europeia, os Estados Unidos, Portugal, Angola, Espanha, Timor-Leste, Noruega e Japão, além de países vizinhos, já enviaram ajuda humanitária de emergência.
Estão envolvidos nas operações de resgate mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.
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