ONU alerta que Operações de Paz ficarão em risco sem financiamento previsível
- 06/02/2026
Na reunião anual do Conselho de Segurança da ONU com os chefes das componentes policiais da organização, o subsecretário-geral Jean-Pierre Lacroix observou que "a eficiência é essencial" e garantiu estar "firmemente empenhado em identificar áreas para poupanças".
No entanto, sublinhou que a "busca pela eficiência não pode substituir o financiamento previsível e sustentável".
Jean-Pierre Lacroix alertou que, no meio da grave crise de liquidez que a ONU atravessa, as reduções de pessoal e os repatriamentos de tropas já estão a sobrecarregar as missões.
À medida que a revisão obrigatória das Operações de Manutenção da Paz se aproxima da fase final, o subsecretário considerou-a uma "oportunidade decisiva" para repensar o apoio e o destacamento, embora sublinhando que o policiamento deve permanecer um elemento central de futuras operações.
Os alertas do subsecretário-geral para Operações de Paz seguem-se aos avisos deixados na semana passada pelo chefe da ONU, António Guterres, que advertiu para um "colapso financeiro iminente" da organização, numa carta enviada a todos os Estados-membros.
Na carta, Guterres apelou aos países-membros da ONU para que "honrem integral e atempadamente as obrigações de pagamento" ou para que "revejam minuciosamente as regras financeiras" da organização.
Com hostilidade ao multilateralismo defendido pela ONU, os Estados Unidos reduziram, nos últimos meses, o financiamento a certas agências das Nações Unidas e recusaram ou atrasaram alguns pagamentos obrigatórios.
Essas lacunas no orçamento aprovado obrigaram a organização a congelar contratações, atrasar pagamentos ou reduzir missões.
Apesar da carga de trabalho da ONU aumentar de ano para ano, os recursos estão a diminuir em todos as áreas. Além disso, nem todos os Estados-membros pagam na totalidade as obrigações anuais e muitos também não pagam a tempo.
Na reunião de hoje, o conselheiro da Polícia e diretor da Divisão Policial da ONU, Faisal Shahkar, chamou a atenção para o momento de "multilateralismo sob pressão, de frágeis condições geopolíticas e de conflitos persistentes" que o mundo atravessa.
"No entanto, a polícia das Nações Unidas continua a ser um pilar fundamental" no apoio à paz, na proteção de civis e na construção de instituições responsáveis, afirmou, alertando para ambientes de segurança mais rigorosos, crime organizado, desinformação e restrições de recursos.
Apesar dos desafios, referiu os sucessos na República Centro-Africana e em Abyei, instando os Estados-membros a manterem o ritmo para que as conquistas "sejam preservadas".
Oferecendo a perspetiva do que se passa no terreno, a chefe da componente policial da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (MONUSCO), Mamouna Ouedraogo, afirmou que os agentes trabalham num "dos ambientes de segurança mais desafiantes do mundo", com esforços direcionados "decisivamente para a prevenção e proteção".
A líder observou que as medidas para fazer face ao problema de liquidez da ONU reduziram o efetivo policial para cerca de metade.
"O policiamento eficaz não é periférico", argumentou, acrescentando que é fundamental para a proteção dos civis, a responsabilização e a estabilização sustentável.
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