ONU alarmada com trabalho forçado de tibetanos e outras minorias na China
- 23/01/2026
Os uigures, os cazaques e os quirguizes são minorias muçulmanas da região autónoma de Xinjiang, no noroeste da China.
"Em muitos casos, os instrumentos coercivos são tão severos que podem constituir transferência forçada [de trabalho] ou escravidão, um crime contra a humanidade", alertaram.
Os especialistas da ONU apontaram que a China está a obrigar estas minorias étnicas a realizar trabalhos forçados em Xinjiang e outras zonas do país através do seu programa de "alívio da pobreza com a transferência de mão de obra".
Na realidade, essas transferências "fazem parte de uma política governamental para modificar à força as identidades culturais dos tibetanos, uigures e outras minorias sob o pretexto de alívio da pobreza", argumenta o grupo de especialistas.
Concretamente, explicaram, estas transferências obrigam esses povos a abandonar os seus modos de vida nómadas ou baseados na agricultura, transferindo-os para locais onde não têm outra opção senão o trabalho assalariado.
"Consequentemente, a sua língua, as suas comunidades, os seus modos de vida e as suas práticas culturais e religiosas estão a ser erodidos, com danos e perdas irreparáveis", alertaram os relatores da ONU.
Os tibetanos, acrescentaram, sofrem a pressão de visitas repetidas às suas casas, a proibição de qualquer crítica e ameaças de punições ou cortes de serviços essenciais.
Sob a alçada do seu programa de transferência de "trabalhadores rurais excedentes", a China também os submete a treino militar.
Entre 2000 e 2025, 3,36 milhões de tibetanos tiveram que reconstruir as suas casas para passar de um estilo de vida nómada para um sedentário, forçados por esses programas. E só em 2024, acrescentaram, quase 650.000 tibetanos sofreram transferências.
Por outro lado, os uigures e outras minorias não podem recusar ou mudar de emprego, pois estão sujeitos a vigilância e exploração "sistemática" e temem ser punidos ou detidos arbitrariamente.
O plano quinquenal de Xinjiang para o período 2021-2025 projetou 13,75 milhões de transferências de mão de obra dessas minorias, mas os números reais são maiores, alertaram os relatores.
O grupo de especialistas apelou à responsabilidade das empresas e dos investidores que trabalham com a China, para que garantam que as suas operações "não sejam contaminadas pelo trabalho forçado".
Mas, os especialistas da ONU mostraram-se também preocupados com a eficácia das restrições comerciais quando estes bens produzidos através de trabalho forçado entram nas cadeias de abastecimento mundiais através de países terceiros.
Por fim, o grupo de relatores solicitou acesso irrestrito à China por parte dos mecanismos independentes de direitos humanos da ONU.
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