Nasry Asfura investido novo presidente das Honduras com o apoio de Trump
- 27/01/2026
Asfura foi apoiado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que o apontou como favorito durante o escrutínio, suscitando críticas internas de ingerência numas eleições que elegeram também os 128 membros do Congresso Nacional e os 20 representantes para o Parlamento Centro-Americano (PARLACREN).
"Faço a promessa legal de respeitar a Constituição e as leis, como prescrevem os santos mandamentos. Honduras, estamos aqui para te servir", declarou o novo chefe de Estado, de 67 anos, durante a cerimónia de investidura no parlamento.
A chegada de Asfura ao poder põe fim a quatro anos de governação de esquerda e garante ao Presidente dos Estados Unidos (EUA) mais um aliado na América Latina, após a ascensão da direita no Chile, Bolívia, Peru e Argentina.
A eleição, cujos resultados foram atrasados por quase três semanas, alimentando suspeitas de fraude, foi denunciada pela chefe de Estado cessante, Xiomara Castro, que criticou a "ingerência" do Presidente norte-americano, que chegou a ameaçar reduzir a ajuda à Honduras caso o seu favorito não vencesse.
Reconhecido por esse apoio, o antigo empresário da construção civil e presidente da câmara de Tegucigalpa já se deslocou aos Estados Unidos para se encontrar com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, e depois a Israel, onde se reuniu com o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu.
"Temos de estreitar as nossas relações com o nosso parceiro comercial mais importante", afirmou Asfura, que após o encontro com Rubio disse ponderar um acordo de comércio livre com os EUA, destino de 60% das exportações hondurenhas.
Por trás do apoio norte-americano a Asfura desenha-se a rivalidade entre Washington e Pequim. Sob o governo da Presidente Castro, Tegucigalpa rompeu relações com Taiwan, que a China reivindica como parte integrante do seu território. Asfura não exclui restabelecê-las.
"É preciso analisar os compromissos [assinados com a China], ver o que é melhor para as Honduras, e é aí que tomaremos as melhores decisões", afirmou o novo Presidente hondurenho à estação de televisão norte-americana CNN.
Segundo a economista Liliana Castillo, citada pela agência francesa AFP, "em 2024 (...) aquilo que compramos [à China] aproxima-se dos 3.000 milhões de dólares", enquanto as Honduras não consegue vender-lhe sequer "40 milhões".
A questão migratória estará na agenda das relações com a administração republicana Trump, sobretudo porque cerca de dois milhões de hondurenhos vivem nos Estados Unidos, muitos sem documentos. As remessas que enviam representam um terço do Produto Interno Bruto (PIB) das Honduras, onde a pobreza afeta 60% dos 11 milhões de habitantes.
Asfura pretende que Trump restabeleça um mecanismo especial, designado TPS, que proteja da expulsão cerca de 60 mil hondurenhos.
Segundo Karim Qubain, presidente de uma câmara de comércio e indústria hondurenha, que reúne cerca de 4.000 empresas, "uma boa relação com os Estados Unidos passa por eliminar as taxas aduaneiras" e "alargar o TPS".
Nasry Asfura terá de alcançar um equilíbrio difícil: atrair investimento estrangeiro e desenvolver infraestruturas, ao mesmo tempo que reduz as despesas num país onde a dívida pública representa 45% do PIB, segundo dados oficiais.
Tudo isto num contexto de segurança delicado, num país afetado pelo tráfico de droga e onde prosperam os gangues Mara Salvatrucha e Barrio 18, classificados como organizações terroristas pelos Estados Unidos.
Em 2024, o ex-presidente Juan Orlando Hernández (2014-2022), do mesmo partido de Asfura, foi condenado nos EUA a 45 anos de prisão por tráfico de droga. Em novembro, foi perdoado por Trump.
"A extorsão [dos gangues] encosta à parede todos os que têm um negócio ou trabalham por conta própria, e se não se paga, mata-se. 'Papi' (alcunha de Asfura) tem de enfrentar isto de frente", afirmou à AFP Daniel Santos, um taxista de 64 anos da capital hondurenha.
Apesar de uma redução dos homicídios, as Honduras continuam a ser um dos países mais violentos da região, com uma taxa de mortes violentas de 23 por 100 mil habitantes. Washington indicou querer reforçar a cooperação em matéria de segurança.
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