"Não se pode confiar no governo federal", defende governador do Minnesota
- 25/01/2026
"Não se pode confiar no governo federal para conduzir a investigação. O sistema judicial do Minnesota terá a última palavra", afirmou Tim Walz em conferência de imprensa, antes de acusar a polícia anti-imigração (ICE, na sigla em inglês), de "semear o caos e a violência" naquele estado do norte do país.
Agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos mataram hoje de manhã um homem na cidade de Minneapolis, confirmou o chefe da polícia local, Brian O'Hara.
Momentos antes, o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, tinha denunciado "mais um tiroteio horrível por agentes federais", pedindo ao Presidente dos Estados Unidos, o conservador Donald Trump, para acabar com a operação anti-imigração e retirar "milhares de agentes violentos" daquele estado norte-americano.
A mais recente vítima mortal do ICE é Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos veteranos de guerra.
A agência Associated Press falou com familiares do enfermeiro e ficou a saber que era um amante da natureza e que participou nos protestos que aconteceram em Minneapolis após o assassinato de Renee Good, também pelo ICE, no início do mês.
"Ele preocupava-se profundamente com as pessoas e estava muito chateado com o que estava a acontecer em Minneapolis, e em todos os Estados Unidos, com o ICE, tal como milhões de outras pessoas estão. E sentia que protestar era uma forma de expressar isso, a sua preocupação com os outros", disse o pai do enfermeiro, Michael Pretti, à Associated Press.
Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois. Tal como Renee Good, não tinha antecedentes criminais e a família contou que nunca tinha tido interações com a polícia, excetuando algumas multas de trânsito.
Numa conversa recente com o filho, os pais de Alex Pretti, que vivem no estado do Wisconsin, disseram-lhe para ter cuidado nos protestos.
"Tivemos essa conversa com ele há duas semanas, dizendo-lhe para protestar, mas sem se envolver, sem fazer nada estúpido, basicamente. E ele disse que sabia disso. Ele sabia disso", contou Michael Pretti.
O Departamento de Segurança Interna alegou que o enfermeiro foi baleado após "aproximar-se" de agentes do ICE com uma arma semiautomática de 9 milímetros. As autoridades não especificaram se Alex Pretti empunhou a arma, que não é visível num vídeo do tiroteio analisado pela Associated Press.
De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.
A família de Alex Pretti soube do tiroteio quando foi contactada pela Associated Press.
Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Alex Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês).
"O agente estava altamente capacitado e contava com oito anos de trabalho na patrulha fronteiriça. Possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais", afirmou hoje numa conferência de imprensa em Minneapolis um alto funcionário da USBP.
Greg Bovino referiu que o tiroteio aconteceu às 09h05 locais (15h05 em Lisboa), quando agentes realizavam uma operação contra um "imigrante indocumentado", chamado José Huerta Chuma, que "tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública".
Durante a operação "um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente", relatou, acrescentando que, "temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa".
Greg Bovino disse ainda que equipas médicas prestaram assistência imediata à vítima, declarada morta no local, e que o homem "também tinha dois carregadores cheios e não tinha identificação à vista".
O chefe da Polícia de Minneapolis, Brian O'Hara, já tinha indicado que a vítima era um homem branco de 37 anos, com licença de porte de arma, não existindo registo de ter tido incidentes com as forças de segurança.
Greg Bovino acusou Brian O'Hara e o presidente da câmara da cidade, Jacob Frey, de ocultarem o facto de que a vítima tinha uma arma e denunciou os "ataques constantes" contra agentes de imigração durante as operações em grande escala em Minneapolis, que têm suscitado protestos por parte da população local.
Jacob Frey, Brian O'Hara e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações em Minneapolis.
A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de janeiro, de Renee Good, cidadã americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente do ICE quando conduzia o seu veículo, embora o governo de Donald Trump a acuse de "terrorismo interno".
Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de cinco anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas, aumentou a indignação de muitos cidadãos que acusam o ICE de abuso.
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