Motorista de autocarro persegue ladrão a bordo e é despedido
- 29/01/2026
Um motorista de autocarro em Londres foi despedido depois de perseguir um homem que tinha furtado o colar a uma das passageiras.
O incidente aconteceu a 24 de julho de 2024, a bordo do veículo de passageiros que Mark Hehir conduzia entre Wembley e o Vale Maida, no nordeste londrino. Numa das paragens, um homem a bordo roubou o colar de uma passageira e encetou fuga.
Hehir agiu rapidamente, correndo atrás do criminoso e conseguindo recuperar o item furtado. O homem, contudo, voltou ao autocarro, segundo o motorista, para o confrontar e terá desferido "o primeiro murro".
Hehir agiu, depois, em legítima defesa, conseguindo imobilizar o suspeito durante "quase meia hora" enquanto a polícia chegava ao local.
Quando as autoridades chegaram, ambos os homens foram detidos. Hehir, no entanto, foi libertado pouco tempo depois, sendo-lhe garantido que não iria ser processado pelo sucedido.
Apesar de em termos judiciais estar livre de culpa, a empresa para a qual trabalhava, a Metroline, não viu o incidente da mesma forma. No dia seguinte, Hehir foi suspenso e posto sob uma investigação interna.
Empresa alega "uso excessivo de força"
Em audiência disciplinar, a Metroline alegou que o motorista tinha "manchado a reputação da empresa ao agredir fisicamente um passageiro" e que tinha "falhado em proteger a sua segurança e a dos passageiros ao deixar o autocarro sem vigilância e com o motor ligado ao perseguir um agressor", cita a BBC.
Em sua defesa, Hehir explicou que "agiu instintivamente ao correr atrás" do suspeito e que, nesse momento, tinha deixado o autocarro travado e as portas abertas - caso algum passageiro quisesse sair.
Na audiência foi ainda lida uma nota de um dos detetives do caso onde se lia que o motorista "tinha usado força que era proporcional e necessária nas circunstâncias para a defesa de si próprio e da passageira".
Mesmo assim, a Metroline decidiu despedir Hehir.
Injustiçado com o resultado da investigação, o motorista levou o caso a tribunal para tentar reverter a situação.
Uma das testemunhas, Alina Gioroc - que é gerente de operações da Metroline e tinha estado presente durante a audiência disciplinar - disse ao tribunal que acreditava "que o homem tinha regressado ao autocarro com a intenção clara de pedir desculpa".
"Quando o homem gesticulou para apertar a mão do requerente [o motorista], ele empurrou o homem em vez de se afastar. E o homem não tinha sido agressivo até esse momento", notou Gioroc.
A mulher considerou ainda que a imobilização do suspeito durante quase meia hor foi "um uso excessivo e desproporcional de força".
Por tudo isto, Hehir tinha sido despedido sem aviso prévio por má conduta grave.
O tribunal manteve a decisão da Metroline, justificando que "a convicção genuína dos responsáveis pela disciplina e pelo recurso de que o requerente era culpado de má conduta grave foi mantida com base em motivos razoáveis". Acrescentando que a decisão estava "dentro do leque de respostas razoáveis ao alcance de um empregador nas circunstâncias em questão".
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