Morreram mais 3 garimpeiros em mina de Moçambique. "Trabalham sem regras"
- 16/01/2026
"Trabalharmos sem regras, [assim] também não podemos continuar. Agora estão a dizer-nos (...) que morreram três pessoas na noite de ontem para hoje, a dormirem em condições deploráveis", disse o ministro da Defesa, Cristóvão Chume, durante uma visita à mina "Seis carros", em Manica.
Para o governante, estas mortes por asfixia demonstram a falta de condições de trabalho na região.
"Não há ambulância aqui para estas pessoas. Se calhar, este outro [garimpeiro] que dizem que ainda estava a respirar [quando foi encontrado] poderia ser salvo", afirmou Chume.
Na semana passada, pelo menos uma pessoa morreu e outras duas ficaram gravemente feridas num desabamento na mesma mina em Manica, avançou na altura fonte do hospital provincial.
O incidente ocorreu na manhã do dia 08, quando um grupo de pessoas invadiu a mina para explorar os recursos, com populares a contabilizarem mais de 100 pessoas no local. Contudo, há registo de que apenas três dos feridos, todos de sexo masculino, deram entrada no Hospital Provincial de Manica.
OS incidentes sucedem numa altura em que vigora a medida do Governo de suspensão de atividades mineiras, como forma de travar a erosão e o arrastamento de terras, face aos impactos ambientais da atividade desordenada.
O Governo moçambicano anunciou, em dezembro, que as mineradoras tinham 90 dias para repor e estabilizar solos, bem como restaurar os caudais de rios afetados pela mineração. O ministro dos Recursos Minerais e Energia recordou estarem em curso medidas para travar a degradação ambiental devido à exploração mineira.
Segundo Estêvão Pale, na província de Manica, onde a mineração foi suspensa, a Agência de Controlo de Qualidade Ambiental notificou em 28 de outubro "25 empresas mineiras para iniciarem o processo de reabilitação das áreas e reposição dos solos degradados resultantes das suas atividades de exploração", enquanto na província de Tete uma comissão multissetorial avaliava o incumprimento dos planos ambientais.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, afirmou, em 17 de setembro, que a mineração está a causar um "desastre ambiental" na região, admitindo a suspensão total da atividade.
A suspensão das licenças mineiras em Manica ocorre após o executivo ter apreciado o relatório do comando operativo das Forças de Defesa e Segurança (FDS) que trabalhou naquela província entre 17 e 19 de julho, para avaliar a situação ambiental face à mineração.
A comissão constatou no terreno uma "mineração descontrolada" feita por operadores licenciados, com empresas a operar sem plano de recuperação ambiental e sistemas de contenção de resíduos, além de violações dos direitos dos trabalhadores.
O executivo classificou então como crítica a situação ambiental em Manica, apontando para a "grave poluição" dos rios que apresentam "águas com coloração avermelhada, turva e opaca", resultante de lavagem direta de minérios e despejo de resíduos desta atividade sem qualquer tratamento.
Perante este cenário, o Governo criou uma comissão interministerial, que integra os ministérios da Defesa, dos Recursos Minerais e Energia, do Interior, dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, das Finanças, da Economia, da Agricultura, Ambiente e Pesca, da Saúde, da Justiça e do Trabalho, Género e Ação Social.
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