Mondlane: Prioridade é resgatar vítimas das chuvas em Moçambique
- 20/01/2026
"Esta que é a prioridade número um, o resgate. Então, estas duas questões, a assistência humanitária e o resgate, salvamento de vidas, estas duas componentes, neste momento, são as mais prioritárias", disse o político moçambicano Venâncio Mondlane.
Em declarações à Lusa à margem de uma visita a um troço da Estrada Nacional Número Um (N1), encerrado ao trânsito ao longo da vila da Manhiça, no sul do país, devido às inundações, Mondlane defendeu que as respostas devem variar conforme o contexto no terreno.
"Mais urgente agora, está claro, mais urgente é, dependendo das situações, por exemplo, na situação da cidade de Maputo e da cidade de Matola, na globalidade, agora é a assistência humanitária", frisou.
Mondlane considerou que "falhou muita coisa", destacando como principal problema a inexistência de um plano de contingência eficaz para travar mortes e destruições de bens durante a época chuvosa, apesar de informação oficial sobre a previsão climática estar disponível desde agosto de 2025.
O político recordou que, no 12.º Fórum Nacional sobre a Previsão Climática, o Instituto Nacional de Meteorologia e a Direção Nacional de Gestão de Recursos Hídricos alertaram para a saturação dos solos no último trimestre de 2025 e para cheias "muito acima do normal" entre janeiro e março de 2026.
"Esta informação existe, produzida e comunicada(...). O que falhou foi a sua utilização para preparar um plano de contingência adequado", sublinhou.
O político apontou ainda a ausência de coordenação diplomática com países a montante, sobretudo a África do Sul, cujas barragens já se encontravam próximas do limite máximo desde agosto e setembro, situação que, disse, era do conhecimento público.
Entre as medidas que deveriam ter sido antecipadas, o político enumerou a retirada preventiva de populações de zonas de risco, o posicionamento estratégico de meios de resgate, como helicópteros e embarcações, e a criação de reservas de alimentos, medicamentos e outros bens essenciais.
"O que está a ser feito agora devia ter sido feito meses antes", disse, criticando igualmente a falta de mobilização atempada de profissionais de saúde, forças de defesa e voluntários para prestar assistência às vítimas.
Mondlane associou ainda a vulnerabilidade do país a problemas estruturais, apontando a corrupção como um dos fatores que terão comprometido investimentos em infraestruturas de mitigação de desastres, financiados ao longo de décadas, "devido aos desvios de fundos e à corrupção que existia em relação ao fundo da gestão das calamidades".
"Portanto, estas são as razões, sintetizando, mau uso da informação das previsões climáticas, despreparo, falta de um plano, digamos, de contingência para a mitigação do fundo, corrupção profunda relativamente aos fundos que eram para fazer investimento nestas infraestruturas", concluiu.
Em 15 de janeiro Mondlane disse que as mortes devido às chuvas e inundações em Moçambique resultam da corrupção e "governação falhada", anunciando a abertura de sedes e delegações do seu partido para acolher as vítimas.
O total de mortos na época das chuvas em Moçambique subiu para 112, continuando três pessoas desaparecidos, além de 99 pessoas feridas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
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