Moçambique suspende circulação terrestre entre Maputo e Gaza devido às cheias

  • 24/01/2026

Num aviso consultado pela Lusa, a Direção Nacional dos Transportes e Segurança refere que, "na sequência do galgamento das águas das cheias em diversas estradas nacionais", mas "com particular incidência" na estrada Nacional 1 (N1), principal via do país, "encontra-se interdita a circulação rodoviária de todo o tipo de viaturas" nos troços compreendidos entre a zona de 3 de Fevereiro, província de Maputo, e as localidades de Incoluane, Chicumbane e a cidade de Xai-Xai, na província de Gaza.

 

Este troço da N1, intransitável há uma semana, é a única ligação terrestre viável de Maputo para norte e, no local, a Lusa constatou anteriormente milhares de pessoas, em centenas de viaturas ao longo da via, a aguardarem a reposição da transitabilidade, para poderem seguir viagem.

"Com vista a evitar a acumulação de viajantes e passageiros nos referidos locais, avisa-se ao público em geral que os mencionados troços da N1 permanecerão interditos à circulação de viaturas de transporte de passageiros e de mercadorias, até à reposição da transitabilidade rodoviária", lê-se no mesmo aviso.

A reposição está condicionada à diminuição do nível das águas sobre a plataforma da estrada, à avaliação das condições de segurança e à reparação dos cortes verificados, em resultado da forte corrente de água, explica a direção de transportes e segurança.

A mesma direção exorta os cidadãos que pretendem viajar nesta via "a reprogramarem as suas deslocações, até que seja emitida comunicação oficial", sobre a reposição da transitabilidade rodoviária.

O Governo moçambicano já admitiu que não será possível, em menos de 15 dias, repor a circulação entre Maputo e Gaza pela N1, com vários troços de via destruídos pelas cheias, cujas águas ainda cobrem a via, estando a estudar uma alternativa para repor essa ligação, mas pela N4.

Pelo menos 642.122 pessoas foram afetadas desde 07 de janeiro pelas cheias em Moçambique, registando-se ainda 12 mortos, segundo dados provisórios do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, até às 15:50 (13:50 de Lisboa) de sexta-feira as cheias que se registam em vários pontos do país afetaram o equivalente a 139.708 famílias, com registo de 2.879 casas parcialmente destruídas, 757 totalmente destruídas e 71.560 inundadas.

Face ao balanço anterior, fechado oito horas antes, o número de pessoas afetadas aumentou em cerca de 35 mil.

Os dados do INGD referem ainda 45 feridos e quatro desaparecidos na sequência destas cheias em cerca de 15 dias, numa altura em que centenas de famílias continuam sitiadas, a aguardar resgate, sobretudo no sul de Moçambique.

Desde o início da época das chuvas, em outubro, incluindo as últimas duas semanas de cheias, já morreram 125 pessoas em Moçambique e 774.828 pessoas foram afetadas, segundo os dados do INGD.

Até 16 de janeiro era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique (que vai de outubro a abril), avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

Segundo os dados mais recentes estão atualmente ativos 91 centros de acomodação, com 94.917 pessoas, incluindo 19.254 que tiveram de ser resgatadas.

Prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique. Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, mais de uma dezena de meios aéreos, incluindo da África do Sul, bem como embarcações privadas e da Marinha de Guerra.

Leia Também: Governo moçambicano sem condições de repor principal estrada do país

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2925486/mocambique-suspende-circulacao-terrestre-entre-maputo-e-gaza-devido-as-cheias#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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