Missão da ONU no Iémen para cessar-fogo será extinta no final de março
- 28/01/2026
A resolução, de autoria do Reino Unido, foi aprovada com 13 votos favoráveis e duas abstenções: da Rússia e da China.
O objetivo da missão, criada em 2019, é ajudar a implementar o acordo de cessar-fogo de dezembro de 2018 entre o Governo do Iémen e os rebeldes xiitas Huthis.
Trabalhar com as partes em conflito para garantir a segurança da cidade de Hodeida e dos portos de Hodeida, Salif e Ras Issa, e facilitar o apoio e a coordenação das Nações Unidas para que as partes implementem integralmente o Acordo de Hodeida são algumas das tarefas assumidas pela missão.
Nesse sentido, a Unmha possui uma componente militar que realiza patrulhas nos portos e em áreas de interesse para monitorizar o cessar-fogo, para analisar violações e para fazer a mediação entre as partes.
"Saudamos a prorrogação do mandato da Unmha pelo Conselho por um período final de dois meses, até 31 de março de 2026. Aguardamos com expectativa a transição ordenada e sustentável das responsabilidades e funções residuais da missão para o Gabinete do enviado especial" da ONU para o Iémen, afirmou o representante britânico presente no Conselho de Segurança após a votação.
Na prática, o Acordo de Hodeida nunca foi totalmente implementado e a Unmha tem encontrado cada vez mais dificuldades para cumprir o seu mandato nos últimos anos.
No verão passado, os Estados Unidos afirmaram que a Unmha "perdeu a sua utilidade" e argumentaram que "é hora de encerrar" a missão.
Por outro lado, outros membros do Conselho, incluindo a China e a Rússia, argumentaram que a missão ainda desempenha um papel valioso como agente estabilizador, ajudando a evitar o agravamento da situação e facilitando o diálogo entre as partes em conflito.
"A Federação Russa absteve-se (...). Só não bloqueámos a adoção desta resolução devido ao pedido dos representantes do Iémen, enquanto Estado anfitrião, assim como de alguns dos nossos parceiros regionais. Em princípio, não concordamos com a ideia apresentada pelos autores deste documento, de que missão é ineficaz e incapaz de cumprir devidamente o mandato que lhe foi confiado pelo Conselho, daí a necessidade de extinguir a missão", argumentou Moscovo.
Doravante, acrescentou a Rússia, o Conselho de Segurança da ONU deverá monitorizar mais de perto o cenário militar e político no Iémen, tendo em conta as potenciais implicações militares, políticas e humanitárias do encerramento desta missão.
Por sua vez, os Estados Unidos reafirmaram hoje que o ambiente operacional da missão não é permissivo, que o "obstrucionismo dos Huthis deixou a missão sem propósito, e esta precisa de ser encerrada".
"O Conselho de Segurança deve adaptar ou terminar as missões se as condições no terreno forem intoleráveis. Isto é especialmente verdade dada a necessidade imperativa da ONU de simplificar as operações e otimizar a alocação de recursos. Os grandes investimentos em operações de manutenção da paz necessitam de ser justificados por objetivos concretos e métricas claras. Se o investimento não puder ser justificado, então a missão deve ser simplificada ou terminada, como é o caso da Unmha", frisou Washington.
A resolução hoje aprovada prevê a extinção da Unmha, pondo fim à presença física da ONU em Hodeida.
Durante os dois meses finais, a missão reduzirá as suas operações e presença física, enquanto se prepara para a "transição de quaisquer funções residuais para o Gabinete do enviado especial".
O Iémen vive mergulhado numa guerra civil desde 2014, entre as forças governamentais e os rebeldes Huthis, apoiados pelo Irão, num conflito que provocou uma das mais graves crises humanitárias do mundo.
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