Milhares manifestam-se em Londres em apoio aos protestos no Irão

  • 11/01/2026

Em Londres, as concentrações fixaram-se em frente à embaixada iraniana e em frente a Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, empunhando bandeiras iranianas da época anterior à instauração da república islâmica, em 1979.

 

"Queremos a revolução, mudar o regime", disse à AFP Afsi, 38 anos, que vive em Londres há sete anos e não tem notícias dos seus familiares no Irão devido ao corte de internet que dura há mais de 60 horas no país.

Os protestos começaram a 28 de dezembro em Teerão contra o elevado custo de vida e ganharam força nos últimos dias. Pelo menos 192 pessoas já morreram, de acordo com a Organização Não Governamental Iran Human Rights, sediada na Noruega.

Esta não é a primeira vez que a República Islâmica enfrenta um movimento de revolta como este, mas "desta vez, há esperança", garante Afsi, acrescentando que existe a sensação de que "é possível conseguir agora", derrubar o regime.

"Estamos a tentar fazer ouvir a nossa voz para alertar o mundo, dizer que o nosso povo está a ser morto e pedir aos países e governos estrangeiros, em particular ao primeiro-ministro (britânico), que ajam contra a República Islâmica do Irão, que está a matar pessoas", testemunha também Sassan, engenheiro de 34 anos.

No sábado, centenas de pessoas já se tinham manifestado em frente à embaixada iraniana e um homem conseguiu subir na varanda do prédio para substituir brevemente a bandeira da República Islâmica por uma bandeira da época da monarquia.

Em Istambul, duas dezenas de pessoas, entre eles exilados iranianos, tentaram protestar em frente ao consulado do Irão, mas a polícia turca, mobilizada em grande número, cercou o bairro e bloqueou os manifestantes.

Entre uma vintena de resistentes, Nina (um nome falso para proteger a identidade), uma jovem de trinta e poucos anos originária de Tabriz (oeste do Irão), exilada na Turquia há quatro anos, quer mesmo assim manifestar a sua solidariedade com os seus compatriotas que, todas as noites há 14 dias, descem às ruas do Irão.

"Há 72 horas que não temos notícias do país, das nossas famílias. Sem internet nem televisão, não conseguimos contactar o Irão. O regime mata aleatoriamente e não se preocupa com a presença de crianças", afirma.

A Turquia, um país maioritariamente sunita, partilha 500 quilómetros de fronteira e três pontos de passagem com o Irão, do qual acolhe oficialmente mais de 74.200 cidadãos titulares de autorizações de residência e 5.000 refugiados.

Muitos deles desistiram de participar do comício não autorizado, "por respeito e cortesia" ao país que os acolheu, explicaram à AFP.

Amir Hossein, cantor de Teerão exilado na Turquia há 20 anos e recentemente naturalizado, lamentou: "Em todos os países, são concedidas autorizações para manifestar pela liberdade, pela democracia, mas na Turquia, infelizmente, nunca".

Na sexta-feira à noite, o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, denunciou a ingerência de Israel na situação no Irão.

"Embora resultantes de razões legítimas e de problemas estruturais, as manifestações também estão a ser instrumentalizadas pelo estrangeiro, pelos rivais do Irão», afirmou, referindo-se à Mossad, os serviços secretos israelitas.

Até o momento, o presidente turco Recep Tayyip Erdogan não se pronunciou sobre o assunto.

Leia Também: Repressão a manifestantes do Irão já fez pelo menos 538 mortos

FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2917498/milhares-manifestam-se-em-londres-em-apoio-aos-protestos-no-irao#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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