Milhares em LA: "Fascismo aconteceu noutros sítios, por que não na América?"
- 31/01/2026
"Podemos acabar numa situação muito má", disse à Lusa Josh Miller, de 47 anos, que participou na marcha por estar muito alarmado com as ações da Casa Branca ao longo do último ano.
"Estes são fascistas que estão a tentar fazer aqui o mesmo que já vimos no passado", afirmou. "Fascismo aconteceu noutros sítios, por que não na América?", questionou. "Isso do excecionalismo americano é absurdo".
Miller referiu que a segunda presidência de Trump retirou todas as salvaguardas e está a seguir o manual implementado por Viktor Orbán na Hungria, onde "as pessoas têm medo de falar e perderam os direitos que tinham".
O receio de que os Estados Unidos caminham "a largo passo" para um regime autoritário foi referido por vários dos oradores que falaram à multidão, em frente à câmara municipal de Los Angeles, uma zona que foi palco de confrontos com a polícia e o ICE no verão de 2025.
"A situação está completamente fora de controlo", denunciou a senadora estadual Sasha Renée Pérez, que classificou a administração como "um regime fascista".
A responsável pelo 25º distrito da Califórnia disse que o ICE tem causado a morte a dezenas de pessoas, não só Renee Good e Alex Pretti, mortos a tiro por agentes, mas também de imigrantes que tentam fugir da detenção.
As mortes foram a principal causa de revolta dos manifestantes, que empunhavam cartazes a favor dos imigrantes e contra o ICE e Donald Trump.
"Este é o início de uma revolução", declarou a cofundadora do movimento Black Lives Matter, Melina Abdullah, que também falou à multidão.
"Em Los Angeles defendemo-nos", afirmou, acusando o ICE de fazer parte de um sistema mais alargado de policiamento injusto e lembrando que um agente de imigração que não estava em serviço matou a tiro um habitante da cidade, Keith Porter, na véspera de ano novo.
Debaixo de um sol forte e com temperaturas a rondar os 28 graus, os manifestantes gritaram palavras de ordem em inglês e espanhol, incluindo "chinga la migra", uma invetiva habitual entre a comunidade hispânica que pode ser traduzida como "que se lixe a imigração".
Nicolette, de 71 anos, disse à Lusa que foi ao protesto porque é essencial que as pessoas tomem uma posição a favor do sistema de governo, que está em risco.
"Quero o ICE fora daqui, a abolição do Departamento de Segurança Interna e o despedimento de [Kristi] Noem, [Greg] Bovino e Tom Homan", declarou.
"Penso que os protestos servem para dar coragem às pessoas que estão preocupadas mas ainda não saíram de casa", continuou. "Nem esperava ver tanta gente, tendo em conta que isto foi organizado em cima da hora".
Além da marcha, organizações de ativistas fizeram sessões de formação para ensinar as pessoas a observar e gravar ações do ICE dentro da legalidade, bem como treinos sobre como ajudar imigrantes nos seus bairros e o que fazer se agentes quiserem prendê-las durante protestos.
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