Milhares de pessoas protestam na Dinamarca contra declarações de Trump
- 31/01/2026
O presidente norte-americano provocou indignação na Dinamarca e noutros países aliados em 22 de janeiro, ao afirmar que as suas tropas "ficaram um pouco afastadas das linhas da frente" durante os 20 anos de conflito no Afeganistão.
Em resposta, 44 bandeiras dinamarquesas, com os nomes de tantos soldados dinamarqueses mortos no Afeganistão, foram colocadas nos canteiros de flores em frente à embaixada americana em Copenhaga, que as retirou na terça-feira antes de se desculpar pelo seu gesto.
"Temos o mais profundo respeito pelos veteranos dinamarqueses e pelos sacrifícios que os soldados dinamarqueses fizeram pela nossa segurança comum. A remoção das bandeiras não teve de forma alguma a intenção de causar dano", escreveu a embaixada dos Estados Unidos no Facebook.
Na sexta-feira, o próprio embaixador norte-americano plantou 44 bandeiras dinamarquesas nos canteiros de flores.
Hoje, 52 novas bandeiras, com nomes, deverão juntar-se a elas - 44 pelos dinamarqueses mortos no Afeganistão, aos quais se somam os oito mortos no Iraque.
Reunidos no Kastellet, a cidadela de Copenhaga, os manifestantes assistiram a uma breve cerimónia junto do monumento dedicado aos soldados tombados em combate antes de a marcha começar.
Durante a marcha, alguns manifestantes agitaram bandeiras dinamarquesas vermelhas e brancas. Outros, vestidos com uniformes militares, marcharam em silêncio até à embaixada americana, situada a cerca de dois quilómetros de distância.
Foi observado um minuto de silêncio em frente à embaixada e foi colocado um ramo de flores vermelhas e brancas.
"A manifestação chama-se 'No Words' (sem palavras) porque é exatamente isso que se sente, não temos palavras", explicou à agência France Presse (AFP) o vice-presidente da associação de antigos combatentes, Søren Knudsen.
"Obviamente, também queremos dizer aos americanos que o que Trump disse é um insulto para nós e para os valores que defendemos juntos", acrescentou.
À frente do cortejo manifestantes carregavam uma grande faixa vermelha onde se podia ler "No Words" (sem palavras), e no meio da multidão alguns cartazes não passavam desapercebidos.
"O Trump é tão estúpido", estava escrito num cartaz erguido por um participante, enquanto outro, levado por uma criança, exigia: "Pede desculpa, Trump!".
"As declarações de Trump foram muito insultuosas", disse à AFP Henning Andersen, um dinamarquês que serviu numa missão da ONU no Chipre.
"Tenho amigos que estiveram lá [no Afeganistão]. Alguns deles ficaram feridos e ainda hoje carregam as sequelas da guerra", acrescentou este homem de 64 anos, com quatro condecorações militares presas ao peito.
Donald Trump "diz coisas sobre as quais desconhece toda a verdade", indignou-se.
"Ficámos muito agradavelmente surpreendidos com o apoio que recebemos", disse, por sua vez, o vice-presidente da associação de antigos combatentes dinamarqueses, Søren Knudsen.
Tradicionalmente atlanticista, a Dinamarca, que continua a chamar aos Estados Unidos o seu "mais próximo aliado", apesar das tensões em torno da Gronelândia, combateu nomeadamente ao lado das forças americanas durante a guerra do Golfo, e depois no Afeganistão e no Iraque.
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