Metade dos recifes de coral afetado por branqueamento entre 2014 e 2017

  • 10/02/2026

Aquele terceiro fenómeno global de branqueamento causado pelas ondas de calor marinhas foi "de longe o mais severo e generalizado já registado", disse Sean Connolly, um dos autores do estudo e investigador do Instituto Smithsonian de Investigação Tropical no Panamá, citado pela agência de notícias France-Presse.

 

Os investigadores analisaram dados de 15.066 levantamentos de recifes em todo o mundo durante os três anos referidos, concluindo que 51% dos corais sofreram um branqueamento moderado ou mais severo, que causou mortalidade em 15%.

Os anteriores fenómenos globais de branqueamento, em 1998 e 2010, duraram apenas um ano.

Em comunicado, Connolly sublinha que "os corais estão atualmente a passar por um quarto episódio, ainda mais severo, que começou no início de 2023".

"O nível de stress térmico tem sido extraordinariamente elevado, particularmente em 2023-24, a um nível comparável ou mesmo superior ao observado em 2014-17, pelo menos em algumas regiões", disse à AFP.

Referiu como exemplo a costa do Panamá no Pacífico, indicando que foi recentemente exposta a efeitos do calor "muito piores do que qualquer coisa vista antes", com "considerável mortalidade de corais".

Reservatórios de biodiversidade que funcionam como barreiras contra a erosão, os corais são particularmente vulneráveis ao aquecimento global, já que o calor é a principal causa do branqueamento, levando-os a expulsar os microrganismos que lhes conferem as suas cores vibrantes e lhes fornecem alimento, pelo que podem acabar por morrer de fome.

"As consequências do aquecimento oceânico nos recifes de coral estão a acelerar e o aquecimento atual deverá causar uma degradação em grande escala e possivelmente irreversível destes ecossistemas essenciais", indicam os autores do estudo.

Antes da década de 1980, estes fenómenos globais de branqueamento "eram raros", refere a introdução do artigo divulgado na revista científica, acrescentando que nas últimas quatro décadas se tornaram "cada vez mais frequentes e severos".

"O aquecimento oceânico é agora a principal ameaça aos recifes de coral em todo o mundo e as ondas de calor marinhas fortes e recorrentes estão a provocar o branqueamento em massa dos corais a escalas regionais e globais", adianta.

Num estudo realizado no ano passado, uma equipa internacional de cerca de 160 cientistas concluiu que os recifes poderão ter já ultrapassado um ponto de inflexão catastrófico.

Os investigadores estimam que, com um aquecimento de 1,5 graus Celsius (°C) acima dos valores da era pré-industrial, a grande maioria dos corais está condenada e este limite deverá ser ultrapassado dentro de alguns anos, a menos que se verifique uma redução drástica e imediata das emissões de gases com efeito de estufa.

"Estamos a ver recifes que não têm tempo para recuperar verdadeiramente antes do próximo episódio de branqueamento", alertou Scott Heron, da Universidade James Cook, na Austrália, um dos autores, citado pela AFP.

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FONTE: https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2936697/metade-dos-recifes-de-coral-afetado-por-branqueamento-entre-2014-e-2017#utm_source=rss-mundo&utm_medium=rss&utm_campaign=rssfeed


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