Menino de 5 anos e pai já estão em casa após detenção: O que se segue?
- 02/02/2026
Adrian e Liam Ramos, um pai e filho de cinco anos que foram detidos há mais de uma semana por agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), foram libertados, no sábado, e já se encontram na sua casa em Minneapolis, no estado norte-americano do Minnesota. Se, por um lado, a ordem para a libertação é esclarecedora quanto a não haver necessidade nem provas suficientes para manter os dois no centro de detenção em que estavam, no Texas, o futuro desta família não é claro.
Quando foi conhecido que os dois iriam regressar a casa, os advogados da família emitiram um comunicado a dizer que "estavam satisfeitos pela família por agora em estar junta e encontrar alguma paz depois desta detenção traumática."
Note-se que esta detenção correu o mundo depois de imagens do menino terem sido partilhadas nas redes sociais. As imagens mostravam o menino de cinco anos a ser levado por agentes do ICE, com um deles a agarrar a mochila do Spider Man deste menino - que tinha acabado de vir da escola. A detenção levou a comunidade escolar de Minneapolis a denunciar que Liam não era o único menor até então a ser detido por estes agentes. Segundo foi explicado na altura, outros três menores já tinham sido levados pelo ICE.
Liam Ramos terá ainda sido usado como "isco" pelo ICE para perceber se havia mais pessoas no interior da sua casa, à frente da qual foi detido juntamente com o pai.
Mas, já em casa, o que se segue?
Segundo a CNN Internacional, a administração Trump já deu um sinal de que poderá recorrer da decisão que libertou Adrian e Liam Ramos. O vice-procurador-geral Todd Blanche afirmou, no domingo, que o governo dos EUA está a analisar as opções que tem neste caso e recusou-se a comentar de forma direta a opção do juiz.
"O conjunto de leis de imigração é muito diferente do nosso processo criminal típico devido à natureza administrativa do que fazemos todos os dias", referiu Blanche no programa "This Week" da ABC. O responsável disse, depois de lembrar que o juiz tenha decidido contra o governo: "Se precisarmos recorrer da decisão desse juiz, garanto que o faremos."
Blanche colocou ainda este caso como parte de uma discussão legal mais ampla, nomeadamente, sobre se os imigrantes devem ser mantidos sob custódia enquanto os seus processos de imigração tramitam ou se devem ser liberados enquanto aguardam esses casos. Ele sugeriu que os tribunais de recurso - e potencialmente o Tribunal Supremo dos EUA, pudessem vir a ter de se pronunciar, descrevendo o que chamou de "cisão na lei" sobre a detenção de imigrantes.
Na opinião do vice-procurador-geral, a ordem emitida pelo juiz Fred Biery criticou os mandados usados nesta detenção - e que os agentes federais da imigração usam de forma frequente. Estes mandados de detenção não exigem a assinaturas de um juiz.
De acordo com a CNN Internacional, o juiz Fred Biery chamou a esta prática uma espécie de "raposa a cuidar de um galinheiro", e apontou que a Constituição exige que detenções sejam feitas depois de ser dada a luz verde por parte de uma autoridade judicial independente.
A imprensa dá conta de que a possibilidade de existir um recurso face à decisão de libertação pode até esclarecer até que ponto estas detenções podem ser feitas, as questões mais amplas que este caso levanta podem levar meses - ou anos - para serem resolvidas.
O juiz explicou que na sua opinião tanto Liam como Adrian podem ainda receber, de acordo com a lei, um pedido para sair dos EUA. O sistema que o permite é, na sua opinião, "arcaico." Esta saída poderá ainda acontecer por meio de deportação ou saída voluntária. "Mas esse resultado deveria ocorrer por meio de uma política mais ordenada e humana do que a atualmente em vigor", afirmou.
O pedido de asilo
Os advogados da família explicaram que a família veio do Equador e entrou nos EUA em 2024, sob um pedido de asilo. De acordo com o que dão conta
"Eles seguiram todos os protocolos estabelecidos, compareciam às audiências judiciais e não representavam nenhuma ameaça, nenhum risco de fuga e nunca deveriam ter sido detidos", afirmou o advogado Marc Prokosch.
O Departamento de Segurança Interna dos EUA contestou, no entanto, a alegação de que o pai de Liam entrou de forma legal no país, referindo que este estava "ilegal" - e foi isso que motivou a operação de detenção.
A CNN Internacional indica, no entanto, que Adrian não terá antecedentes criminais no estado do Minnesota. A publicação investigou também os seus registos no Equador e, de acordo com o o Ministério do Interior deste país deu conta, Adrian não tem também antecedentes criminais no país de origem.
O pedido de asilo ainda está pendente no tribunal de imigração.















